Penas folhas águas correntes
Cursam o curso do rio:
Líquidas páginas semeadas.
Entre elas medra a vida.
De sumos, seixos e areias,
Lágrimas e sorrisos
Tecem fios de memória,
Cantam cantos de úmidas notas,
Destilam história e poesia.
Prismas líquidos passantes
Ampliam notas e letras
Refratam e refletem vozes
Entre véus macios de limo.
Luzes, sombras, transparências
Cores, nuanças, incolores...
Em cantos que passam e ficam
- Outros e mesmos cantos
De outras e mesmas águas -
Desenham vitrais sonoros,
Partituras de cristal.
Vidas, vozes, versos, falas...
No corpo manante caminham
- Mesmo corpo de mil águas -
Tecendo entre sóis História,
Fluindo entre azuis Poesia.
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