(dedico à cúmplice Úrsula, que tanto gosta dessa pretensão de poesia, e à querida Arceburgo-MG)
Eles chegaram por todos os lados
Alguns sorridentes, outros calados
Trazendo serpentes, baralhos e dados
Mulheres videntes, gigantes, pirralhos.
Espalharam o jogo como epidemia
Venderam o futuro da astrologia
Fizeram xaropes que curam anemia
Previram a sorte, dando garantia.
Na praça as lonas de cores francesas
Vendendo alegrias, rompendo tristezas
Acorda a cidade, triste fortaleza
Dos males da idade, esclerose indefesa.
A cartomante semeia demente
Soluções para o burgo doente
Que se acha forte e potente
Na torre do templo imponente.
E pela noite soam risadas
Das ciganas de saias rodadas
Que dançam pelas calçadas
E bebem bebidas rosadas.
Mas da torre prepotente
Doze batidas estridentes
Acabam com a festa indecente
Exterminando os descrentes.
Nas ruas ficam os fantasmas
E o vento sofre de asma
Os mortos dormem nas casas
Os espíritos nas calçadas.
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