Brasileiro terá que apertar mais o cinto


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O brasileiro terá que se preparar para um novo assalto ao seu bolso, depois que o governo enviou ao Congresso Nacional uma proposta de orçamento consolidando um rombo superior a R$ 30 bilhões para o ano que vem. Os sinais são muito claros: sem muito interesse em reduzir as despesas correntes, diminuindo o tamanho da máquina administrativa — inflada por cerca de 100 mil cargos comissionados, segundo algumas fontes — e gastos com viagens, benefícios e até carros oficiais, a presidente deixou claro que não abandonou a ideia da criação de um novo tributo nos moldes da CPMF (o imposto do cheque). Ao mesmo tempo, setores do governo defendem cortes maiores nos programas sociais. Até a ministra da Agricultura, Kátia Abreu, tem dado os seus pitacos defendendo o aumento da alíquota da Cide (que incide sobre o preço da gasolina e do diesel).
 
Ontem, Dilma Rousseff (PT) prometeu que o governo gastará melhor os recursos públicos e ressaltou que discutirá novas fontes de receitas para obter um orçamento equilibrado. Em entrevista a rádios da Paraíba, onde cumpriu agenda, afirmou que o governo não quer ficar com déficit no orçamento e vai trabalhar nesse sentido. Em uma sinalização clara à necessidade de obter receitas e da forma como pretende fazer, a presidente também reafirmou que o governo cortou tudo o que podia ser cortado na proposta orçamentária. Desde o começo do ano, o ajuste fiscal proposto pelo Planalto só criou dificuldades para quem trabalha e produz, reajustando preços administrados (água, luz e combustíveis), restringindo o acesso a benefícios trabalhistas e cortando desonerações da folha de pagamento. Isso tudo causou o aumento da inflação, do valor do dólar e do desemprego, que acabaram impactando em toda a economia.
 
Alguns programas, como o Pronatec, tiveram a verba reduzida a menos da metade, novos investimentos em infraestrutura foram congelados e repasses para programas governamentais sofreram seguidos atrasos. Só está faltando o essencial: reduzir a pesada e ineficiente máquina administrativa governamental, que na última década vem servindo apenas para acomodar aliados do governo sem concurso público. Analistas acreditam que é muito esperar esta atitude de um governo que gasta fortunas com viagens, como a mais recente para os Estados Unidos, onde foram alugadas dezenas de limusines para a comitiva de Dilma. Enquanto empresários e trabalhadores brasileiros sentem na própria pele os efeitos do descontrole econômico do governo federal, este não se preocupa em dar o exemplo e pretende cobrar ainda mais caro pelos seus próprios erros.
 
 
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