Refugiados: questão humanitária global


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A foto de um menino sírio de três anos, encontrado morto numa praia da Turquia, expôs, de forma cruel, a face mais perversa de conflitos armados que conflagram diversos países dos continentes europeu e africano. Estes conflitos têm levado milhares de pessoas, a cada dia, a se aventurarem num êxodo que coloca suas vidas em risco. Todos os grandes jornais do mundo trouxeram a imagem chocante com destaque, num alerta para a situação de quem se arrisca em busca de comida, abrigo e trabalho, naturalmente. A criança morreu junto com a mãe e outro irmão mais velho. A família é da cidade síria de Kobane, palco de intensos confrontos entre o Estado Islâmico e milícias curdas. Único sobrevivente da família, o pai contou que essa era a segunda vez que tentavam chegar à Grécia pela Turquia. Na primeira vez, o barco em que viajavam foi interceptado pela Guarda Costeira grega e mandado de volta. Pelo menos 12 pessoas morreram no naufrágio de anteontem.
 
A questão dos refugiados, provenientes de países do Oriente Médio e da África, tem intensificado nos últimos dias uma discussão que deveria ser mais profunda -- e global. A crise migratória tem polarizado e confundido a UE (União Europeia), que está comprometida com o princípio de aceitar refugiados ameaçados de fato, mas não tem nenhum mecanismo para obrigar seus 28 Estados membros a compartilhar a responsabilidade de recebê-los. Centenas de milhares de refugiados que fogem da guerra e imigrantes escapando da pobreza estão chegando à Europa em barcos frágeis pelo Mediterrâneo e por terra em toda a península balcânica. As mortes, por causa das condições da travessia, são inevitáveis e chocam, como a descoberta de dezenas de cadáveres de refugiados encontrados amontoados num caminhão frigorífico em uma estrada da Áustria, dias atrás. É uma grave situação, que exige providências urgentes, antes que mais tragédias aconteçam.
 
O caos desta semana se tornou o mais recente símbolo da crise migratória da Europa, a pior no continente desde as guerras nos Bálcãs, na década de 1990. A Comissão de Inquérito da ONU (Organização das Nações Unidas) para os Crimes na Síria, liderada pelo brasileiro Paulo Sérgio Pinheiro, alerta: o mundo está “fracassando em dar proteção” aos refugiados sírios e países estão fechando suas portas à tentativa dessa população de fugir da morte. Segundo a comissão, mais de 4 milhões de sírios já deixaram o país. O cenário atual leva a ONU a acreditar que o número de refugiados também vai aumentar nos próximos meses. É preciso um esforço global, não só na Europa mas em todo mundo, no sentido de garantir a integridade deste enorme contingente de refugiados e evitar novas tragédias como as que vêm ocorrendo nos últimos meses.
 
 
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