Vencendo a seca


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O Estado de São Paulo vem fazendo obras rápidas para resolver a seca que abate o Estado, mas, solução ainda está longe. Por que não se investe, de verdade, na despoluição dos rios Tiete e Pinheiros? 
 
Enquanto no Brasil poluem-se rios gigantescos enquanto a seca grassa, Israel atacou a seca com a mesma inteligência que ataca seus inimigos. A seca, lá, foi tão grave que adotaram imposto pesado sobre o consumo doméstico excessivo. Foram orientados a banhos de, no máximo, dois minutos. Localizado em área seca, Israel optou por dessalinizar a água do Mediterrâneo e reciclar águas residuais. Hoje, mais de metade do destinada a famílias, agricultura e indústria é produzido assim. Embora mais cara, água não falta mais. 
 
Quatro usinas privadas de dessalinização já atuam e mais uma quinta que vem aí produzirão 500 bilhões de litros de água potável por ano. A meta é chegar a 757 bilhões em 2020. Torna Israel líder mundial na reciclagem de águas residuais para a agricultura. 
 
Medida interessante foi oferecer instalação gratuita de chuveiros e torneiras de dispositivos que injetam ar no fluxo de água, reduzindo o consumo em cerca de um terço e dando a sensação de fluxo mais forte. Junto com outras medidas de economia, o consumo familiar foi reduzido em quinto. O dinheiro arrecadado com a cobrança da água é reinvestido na infraestrutura. 
 
O avanço tecnológico tornou a dessalinização viável, pois ela consumia muita energia. Levaram para Israel o cientista americano que inventou o método de osmose reversa. Apesar disso, há quem critique. Uns dizem ser a privatização do abastecimento da água em Israel que beneficia alguns magnatas; ambientalistas querem recuperar reservas hídricas naturais que foram poluídas pelas indústrias militares. Também dizem que colher água em alto-mar destroi vida marinha ao sugar ovas e girinos. Com esse exemplo de vitória sobre a seca e o governador de São Paulo fala em trazer água de muito longe, dessalinizar água do mar, água de reuso, mas gostaria de ouvir despoluição, será que sai? 
 
 
Mario Eugenio Saturno
Tecnologista do INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais)

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