Três vereadores se envolveram em uma grande confusão na Câmara Municipal de Restinga, durante sessão realizada na noite de anteontem. Leonardo Neves Cintra (DEM) e os irmãos Clóvis Martini Cubas (PTB), o “Trovão”, e Osvaldo Martini Miguel Cubas (PSB), o “Torrinha”, trocaram diversos xingamentos e empurrões após a votação das contas do ex-prefeito Evanildo Donizete Montagnini, o “Zetão” (PSC).
Cintra acusa Trovão e Torrinha, que presidiu as sessões de terça-feira, de não divulgarem com antecedência a pauta da reunião e oferecer pouca publicidade para o caso. A confusão foi parar na polícia, depois que o vereador do DEM registrou um boletim de ocorrência por lesão corporal contra os irmãos. Eles são acusados de agressão física e verbal. Cintra diz que teria sido mordido nas costas por Trovão.
O motivo da briga foi a aprovação das contas do ex-prefeito, que recebeu parecer desfavorável do TCE-SP (Tribunal de Contas do Estado de São Paulo), devido a compra de combustíveis. A Prefeitura da cidade, com aproximadamente 8 mil habitantes, teria gastado um valor muito alto quando comparado a cidades bem maiores, como Ribeirão Preto e Franca. O posto em que a compra foi realizada pertence à mulher do vereador Trovão (leia texto nesta página).
A confusão
Nesta semana foram realizadas duas sessões na mesma noite, uma ordinária e outra extraordinária. A votação das contas aconteceu ainda durante a primeira reunião.
Sem concordar com o tempo de dois minutos para falar no momento da votação das contas do ex-prefeito, Cintra tentou voltar a abordar o assunto na segunda reunião. Porém, sem concordar com a abordagem do parlamentar, Torrinha encerrou a sessão. Foi nesse momento que toda a confusão começou. Os três vereadores se ofenderam mutuamente e trocaram alguns empurrões. Pessoas que estavam no plenário precisaram intervir para conter a contenda.
Cintra realizou ontem exame de corpo delito e deve prosseguir com o processo por lesão corporal. Ele informou que pretende solicitar a anulação da votação.
Outro lado
Apesar do que mostra o vídeo da confusão, que circula desde ontem na internet, os irmãos afirmam que em nenhum momento xingaram o outro vereador. A acusação de agressão física também foi veementemente negada por eles.
“Quem mordeu nas costas dele foi a namorada... Eu não mordi ninguém. É uma questão óbvia, só observar a minha altura e a dele, seria impossível eu conseguir morder ele. Eu sou a metade do corpo dele e tenho a metade do tamanho. Ele que me agrediu e quis tumultuar a sessão”, disse Trovão.
Já sobre a sua ligação com o posto onde foram adquiridos os combustíveis, já que sua mulher é a proprietária, o vereador desconversou. “As coisas dela são dela e as minhas são minhas. Isso não tem fundamento algum, não me meto nos negócios dela, nem ela nos meus”, completou.
Torrinha negou qualquer desentendimento, inclusive negando que tenha agredido verbalmente o outro vereador.
Durante toda a quarta-feira, a reportagem tentou contato com o atual presidente da Câmara, Juvêncio Ferreira Menezes Filho (PSC), o “Ferreirinha”, para saber se alguma medida em relação à briga será tomada, mas ele não atendeu nenhuma das ligações.
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