As provas são fartas, inclusive suscitando a abertura de uma CEI (Comissão Especial de Inquérito) na Câmara Municipal. Segundo já se sabe o ICV (Instituto Ciência e Vida), que fornecia os médicos (?) para atender os Prontos-socorros de Franca, tinha amplo conhecimento de que estava contratando falsos médicos que atuaram na cidade e sobre os quais paira uma série de suspeitas, inclusive a morte de pelo menos dois pacientes. As denúncias são gravíssimas e o prefeito de Franca, Alexandre Ferreira (PSDB), só fez, até agora, defender a atuação desta OS (Organização Social) e da quadrilha de falsários que passou por aqui, inclusive pagando valores incompatíveis com o serviço realmente prestado. Desde que o ICV começou a atuar na cidade, milhares de francanos que necessitam do sistema público de saúde passaram a ter a sanidade colocada em risco, por causa do atendimento prestado por elementos que atuavam dentro da ilegalidade. Foi preciso que a Prefeitura de Nova Odessa (SP) declarasse o instituto inidôneo para que ele fosse impedido de participar de uma nova licitação para os PSs de Franca. Do contrário, nada seria feito.
Até agora, Alexandre Ferreira não se dignou a pelo menos admitir as irregularidades (e ilegalidades) cometidas pelo ICV e que já eram conhecidas desde dezembro do ano passado, quando o Comércio noticiou que o ‘médico’ Pablo Galvão (o falsário Pablo Mussolin, descobriu-se depois) havia recebido mais de R$ 80 mil dos cofres públicos alegando ter feito plantões de 24 horas por 31 dias seguidos. Até agora o prefeito não explicou mais esta ilegalidade, que se junta às demais registradas na saúde pública de Franca, investigadas em ações no Ministério Público do Trabalho (relacionadas à indústria de horas extras que inflava o vencimento dos profissionais e que criou a consulta de um minuto) e na área criminal ( por causa de pelo menos 10 mortes relacionadas ao atendimento médico prestado nas unidades públicas do município nos últimos dois anos).
A irresponsabilidade do chefe do Executivo francano é uma prova cabal de sua total incapacidade como gestor público. Franca é muito grande para ficar à mercê de uma administração que, caso os falsários sejam condenados, precisa ser responsabilizada como cúmplice desta quadrilha que colocou em risco o bem-estar de grande parte da população francana. Será preciso uma tragédia maior para que a administração municipal passe a agir com maior atenção e responsabilidade? Ou as consciências dos que estão no poder e pretendem nos governar estão tão laxas que ainda diante de algo pior vão continuar impermeáveis ao sentimento de compaixão que é o que mais profundamente nos define como humanos?
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