As investigações relacionadas à ação de uma quadrilha de falsos médicos que atuou nos dois prontos-socorros de Franca acabam de ganhar reforço. Além da Polícia de Mairinque (SP), onde os primeiros falsários foram descobertos, agora a Polícia Civil de Franca também entrou no caso. Duas frentes de investigação foram abertas na cidade, uma para apurar os crimes praticados pelos falsos médicos e outra para analisar as denúncias apresentadas nessa terça-feira pelos vereadores da CEI (Comissão Especial de Inquérito), que também investiga a quadrilha.
O delegado Luciano Henrique Cintra, responsável pelas investigações em Franca, se reuniu na manhã de ontem com os membros da Comissão, os vereadores Márcio do Flórida (PT), Daniel Radaeli (PMDB) e Jépy Pereira (PSDB). “Eles apontaram algumas suspeitas levantadas durante uma vistoria que fizeram no Pronto-socorro ‘Álvaro Azzuz’. Segundo eles, havia irregularidades com a escala dos médicos. Os nomes que constavam do documento não eram de fato o dos profissionais em atendimento. Isso pode, em tese, ser um indício do crime de falsidade ideológica, que temos de investigar”, disse o delegado.
Cintra também deve apurar como era feito o preenchimento das fichas de atendimento e o uso de carimbos médicos, que serviam de base para o pagamento do ICV (Instituto Ciências da Vida), responsável pela contratação dos falsos médicos. “Há suspeita de crime de falsidade ideológica. Vamos investigar se algum profissional usou o carimbo e simulou a assinatura de outro médico.”
Um outro inquérito também está em andamento. Nele são investigados diversos crimes que vão desde o uso de documento falsificado até a formação de quadrilha para o exercício ilegal de medicina. Todos relacionados à ação de oito falsos médicos que atenderam mais de 6,3 mil pessoas no Pronto-socorro “Álvaro Azzuz”. “Neste procedimento, estamos aguardando alguns documentos, que solicitamos para a Polícia de Mairinque, para dar prosseguimento à investigação”, disse o delegado.
O delegado deve viajar na semana que vem para Sorocaba junto com os vereadores da CEI. A ideia é se reunir com as delegadas Fernanda Ueda e Simona Ricci, que comandam as investigações naquela região. “Precisamos agir em conjunto”, disse o Cintra.
Para o presidente da Comissão, vereador Márcio do Flórida, a visita a Sorocaba será importante para conhecer melhor o andamento das investigações. “Vamos solicitar cópias de alguns procedimentos e documentos, para que possamos usá-los na CEI.”
Depoimentos
Ainda sobre as investigações, a CEI dos Falsários deve ouvir nesta quinta-feira mais três pessoas. Foram convocados a depor os médicos Thanios Nunes Lacerda e Lavoisier Tavares Andrade, ambos apontados pelo diretor-administrativo do PS, Bruno Marinho, como coordenadores do ICV em Franca.
Além deles, a médica Fernanda Sumire Araki também deve prestar esclarecimentos. Segundo o ICV afirmou na justificativa de falta do diretor-operacional João da Rocha, que deveria ter prestado depoimento no dia 25, ela teria sido agredida por pessoas que se diziam vereadores e que teriam invadido o pronto-socorro no último dia 24 de agosto. “Na justificativa, a afirmação feita pelo ICV é grave e merece ser apurada. Nós, vereadores da CEI, visitamos o pronto-socorro no dia 21 de agosto e não agredimos ninguém. Então, precisamos saber quem foram os agressores e, de fato, o que aconteceu”, disse Márcio do Flórida.
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