Os francanos têm de conviver com mais um reajuste desde ontem. Trata-se do aumento no preço do gás de cozinha. Antes comercializado em média por R$ 42, o botijão passa agora a custar até R$ 55.
A subida no preço veio depois que a Petrobras reajustou em 15% o valor do gás liquefeito de petróleo para uso residencial envasado em botijões de até 13 quilos. Além disso, outros 9%, referentes ao acordo salarial da classe que deve começar a ser pago neste mês, também serão repassados para os consumidores. Os preços, porém, não são tabelados e as distribuidoras podem cobrar o valor que desejarem.
Preocupados, os representantes de distribuidoras são unânimes quanto ao medo de que as vendas caiam. Para eles, os novos valores devem girar entre R$ 48 e R$ 55. Apesar de tratar-se de um item básico de consumo, a preocupação é que os consumidores segurem as compras para forçar o desconto.
Segundo José Carlos Morais Júnior, proprietário de uma distribuidora no Jardim Dermínio, desde que o reajuste da Petrobras foi anunciado, há dois dias, ele estuda uma forma para tentar repassar o mínimo possível para os consumidores. “Temo que esse reajuste possa prejudicar as vendas. O país enfrenta um momento complicado, mas é impossível não repassar a diferença para o consumidor”, disse.
Ainda de acordo com o comerciante, devido a um pequeno estoque, o acréscimo no valor do gás no seu estabelecimento deve acontecer em três dias. “Tentei me antecipar e garantir um estoque, mas a venda aumentou cerca de 40% nesses últimos dois dias. A população está preocupada e, por isso, tenta se antecipar e evitar o aumento. Depois, a tendência é que as vendas caiam”, completou.
Auxiliar administrativo em uma distribuidora no bairro Franville, Jaime Ricardo Ferreira e Silva informou que o gás deve ser comercializado com reajuste a partir de hoje. “Ainda não temos o valor exato do acréscimo, mas o preço final do produto deve girar entre R$ 52 e R$ 55. Nesta quarta-feira, os consumidores já passarão a pagar o novo valor, porque compramos o produto já com o acréscimo”, disse.
De acordo com Gisele Gonçalves Nogueira, gerente de uma distribuidora no residencial Ana Dorothéa, é impossível não repassar o acréscimo para os consumidores. “Com a margem de lucro que utilizamos nas vendas, é simplesmente inviável não repassar o reajuste. Inicialmente acredito que o valor varie entre R$ 50 e R$ 55”, disse.
Para a dona de casa Ana Célia Fernandes, 59, moradora da Vila Formosa, o reajuste vai complicar ainda mais o orçamento. “O salário não aumentou, ao contrário, só perde a cada dia mais o poder de compra. Aumenta o preço da energia, água, combustíveis e agora o gás. Passamos por uma fase muito ruim e acredito que a dificuldade só vai crescer”, disse. “O pior é que os maiores acréscimos são em itens básicos, que não podemos ficar sem e quem acaba pagando o maior preço é o pobre”, completou.
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