Carniça e muita sujeira: praça do Itaú no Centro é dominada por andarilhos


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Sob a marquise do banco Itaú, pedaços de espuma e mais cobertores dos moradores de rua
Sob a marquise do banco Itaú, pedaços de espuma e mais cobertores dos moradores de rua
Quem passa distraído pela Praça do Itaú, no Centro, pode não perceber os “guarda-roupas” improvisados que os moradores de rua utilizam para preservar seus pertences. Nas copas das árvores, nas floreiras e sob a marquise da agência bancária é possível ver sacos de lixo contendo objetos de uso pessoal, mantas e cobertores além de colchões. Este, no entanto, não é o aspecto que tem trazido maior animosidade na convivência entre moradores de rua e as pessoas que trabalham na praça. Assim como em outros pontos da cidade, o pior problema apontado tem sido a falta de higiene e pudor dos sem-teto.
 
“Quando chego para trabalhar, tem fezes para todo lado. Hoje (ontem) mesmo tive que jogar terra por cima para abafar o fedor. A gente mesmo faz a limpeza porque, senão, ninguém aguenta e não tem freguesia”, disse Alexandre Paulo, vendedor do local. “Eles fazem o que querem. Esses dias, uma menina decidiu, do nada, arrancar a roupa no meio da rua, às duas horas da tarde. Depois saiu gritando”, disse.
 
“Tem dias que a gente chama os bombeiros para jogar uma água, por aqui, de tão sujo que está”, disse a barraqueira Celina Ferrete Rosa. “E eles não se incomodam com a gente. Vão mais próximo do banco Itaú, baixam as calças e fazem o que têm de fazer.”
 
Ainda segundo relatos, os problemas não são tão evidentes durante o horário de expediente, quando os moradores abandonam a praça e um segurança contratado pela associação das barracas inibe ações do tipo. É por volta das 18 horas que tudo começa. “Eles voltam para cá quando estamos desmontando as barracas. De manhã, quando chegamos, vemos eles dormindo por toda parte, inclusive sobre as nossas barracas”, disse um trabalhador que preferiu não se identificar. “Acho que a Prefeitura deveria fazer alguma coisa.”
 
De acordo com a Secretaria de Ação Social, os problemas relatados são conhecidos pelo Município que realiza visitas periódicas ao local oferecendo opções de atendimento no Centro Pop e Abrigo Provisório, através da Busca Ativa. 
 
“Só que o direito de ir e vir das pessoas precisa ser respeitado e, não querendo, elas não podem ser levadas à força”, disse a Secretaria. Ainda conforme a pasta, um Consultório de Rua deve ser inaugurado em breve para produzir “mais resultados”- sem, no entanto, especificar como.
 
Retrospecto
No último domingo, o Comércio trouxe uma matéria apontando um crescimento de moradores de rua em Franca. De 2012 até este ano, o número passou de 156 para 350, gerando um aumento de 127%. 
 
Situações de constrangimento como as relatadas pelos trabalhadores da Praça do Itaú também foram apontadas por moradores do entorno do Abrigo Provisório, conforme matéria publicada no último dia 20 de agosto.
 

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