O aposentado e pensionista brasileiro do INSS já se acostumou a, no início do mês de setembro, receber 50% de antecipação sobre seu 13º. Muitos, aliás, passaram a se programar em função do dinheirinho curto, mas, invariavelmente, certo.
Eis que a presidenta Dilma Rousseff tentou, novamente, abrir seu ‘saco de maldades’. Num primeiro momento, ameaçou vetar o pagamento. Depois, decidiu parcelar em duas vezes. Por fim, resolveu pagar de uma só fez na folha de pagamento de setembro, a ser liberada no princípio de outubro. Mesmo não sendo obrigatório, esse pagamento começou a acontecer a partir de 2006, após acordo firmado entre o ex-presidente Lula e representantes de aposentados e pensionistas, exatamente os aposentados e pensionistas que têm o seu poder de compra diminuído, ano após ano e cada vez mais, devido a correções inferiores às aplicadas ao salário mínimo.
Como pimenta no olho do aposentado é refresco, os R$ 15 mil de antecipação do 13º salário dela — apesar da crise por ela tão alardeada — e o correspondente ao 13º do ministro Joaquim Levy, foram pagos em julho, e de uma só vez. Por que eles podem e o aposentado, que programou despesas contando com essa antecipação, não pode receber na data historicamente conveniada?
As perdas de aposentados e pensionistas com benefícios acima de um salário mínimo estão se acumulando ao longo de mais de 15 anos: o aumento de 6,23%, vigente desde primeiro de janeiro, ficou novamente abaixo do concedido ao mínimo, que foi de 8,8%.
Se nada for feito para frear a defasagem — e eis aqui outro dado inquietador — todos os aposentados vão estar ganhando apenas um salário mínimo em, aproximadamente, 15 anos. Trata-se, efetivamente, de verdadeiro conto do vigário praticado contra milhões de brasileiros que não pedem favor, mas apenas seus direitos, já que contribuíram ao INSS sem parar visando um ganhar um pouco mais na velhice.
Welson Gasparini
Deputado estadual, ex-prefeito de Ribeirão Preto (SP)
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