Número de moradores de rua chega a 350


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Davi, Cleverson, Wagner e William ao lado do Cinzento, um dos cachorros que criam numa das calçada no Leporace, onde se instalaram com sofá e fogareiro
Davi, Cleverson, Wagner e William ao lado do Cinzento, um dos cachorros que criam numa das calçada no Leporace, onde se instalaram com sofá e fogareiro
Leporace, Vila Gosuen, Vila São Sebastião, Redentor, Cidade Nova, Centro... Em diversos pontos da cidade é possível observar grupos de pessoas fazendo das calçadas, praças e marquises suas moradias. De acordo com a Secretaria Municipal de Ação Social, o número de pessoas em situação de rua chega, hoje, a 350; registro 127% maior que o constatado pela própria pasta, em 2012, quando uma pesquisa encomendada revelou 156 moradores de rua em Franca.
 
Segundo a secretária de Ação Social, Gislaine Peres, a maioria é morador de Franca, que nasceu na cidade ou que mora aqui há mais de dois anos. 
 
De acordo com a Secretaria de Ação Social, os motivos que levam às ruas são, quase sempre, os mesmos. “Estão nas ruas por vários motivos, sendo os mais citados o desemprego e dificuldades para reinserção no mercado de trabalho; a dependência química; o rompimento de vínculos familiares; a depressão e transtornos mentais além de vários tipos de violências sofridas”, afirmou Gislaine. “No caso das mulheres, principalmente violência doméstica e abuso sexual”.
 
Ela explica que há, também, pessoas vindas de outros municípios. “Também existem os casos de itinerantes. Pessoas que se movimentam de um local para outro e não se fixam em nenhuma cidade por diversos motivos, principalmente os ligados a sua atividade: trabalho informal, lavrador safrista, artesanato, arte de rua, espetáculos itinerantes, montagem de estruturas metálicas para eventos, e outros. Porém nestes casos, pelo próprio perfil descrito, estes permanecerão poucos dias no município”, afirmou. 
 
Em qualquer das situações, a questão é delicada e envolve desdobramentos como a mendicância, dependência química, uso de drogas em via pública, sexo em locais inapropriados, entre outros. Em matéria publicada pelo Comércio no dia 20 de agosto, relatos da população que vive nos arredores do Abrigo Provisório - na avenida Dom Pedro - davam conta de uma convivência traumática. Os moradores e comerciantes das redondezas disseram ter muito medo de represárias por parte dos moradores de rua e concederam entrevistas  sob a condição de anonimato. “Se você falar alguma coisa, Deus me livre! Eles ameaçam. Dá impressão de que a gente está conivente com a situação, mas não é verdade. Já tentamos falar com o pessoal do Abrigo, com a Prefeitura, mas não adianta”, disse um dos moradores entrevistados.
 
No Leporace, um grupo de homens ocupam uma das calçadas. Ali eles se alimentam, bebem, cozinham e dormem. “Estou na rua porque minha mulher me botou pra fora de casa e minha mãe não me quis. Sou alcoólatra e cheiro pó”, disse Cleverson, que há cerca de dez anos vive de idas e vindas de casa para a rua e “divide” a calçada com outras três pessoas (leia mais nesta página).
 
Políticas Públicas
A Secretaria de Ação Social aponta as atividades desenvolvidas no Centro POP como suas principais medidas de acolhimento à população de rua. Segundo Gislaine Peres, ali são feitos encaminhamentos e acompanhamentos para a realização de documentação pessoal; contatos e atendimentos familiares; acompanhamento em tratamento médico ambulatorial; internação para tratamento para dependência química; elaboração de currículo; cursos profissionalizantes; alimentação entre outros serviços de acolhimento.
 
Em que pesem os trabalhos mencionados, o Centro POP é rodeado de polêmica. As reclamações se dão pela concentração de moradores de rua no local que promovem a mendicância e atos de violência. A secretaria ainda conta com um serviço de abordagem social para resgatar as pessoas em situação de rua. 
 
 

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