Discurso não vai acabar com crise


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Mais uma vez, a presidente Dilma Rousseff (PT) mostrou, publicamente, o grande despreparo de seu governo para lidar com a crise econômica que coloca o Brasil na chamada recessão técnica — quando o PIB (Produto Interno Bruto) atinge dois trimestres de crescimento negativo. Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), a economia do país retraiu 1,9% no período entre abril e junho e 0,7% entre janeiro e março. A queda nos investimentos, aliada ao baixo nível do consumo das famílias — que despencou 2,1% no segundo trimestre —, deve continuar a frear o crescimento até o final de 2015. Analistas já preveem que uma possível retomada do crescimento, caso o governo faça a sua parte e não penalize apenas aqueles que pagam impostos, só deverá ocorrer em 2017.
 
O quadro é difícil e Dilma demonstra que só tem um recurso para tentar reverter o quadro atual: palavras. Em discurso para uma plateia favorável, ontem, no Ceará, pressionada pela baixa popularidade e pela ameaça de um processo de impeachment, a presidente disse que não vai permitir “retrocessos” democráticos e que o País vai superar a crise econômica sem “nadinha de amargura ou de ódio”. A declaração foi feita na cidade de Caucaia, durante a entrega de casas do programa Minha Casa Minha Vida. Não será apenas com discursos que o Brasil conseguirá combater a crise. É preciso mais e isso o governo não pretende fazer. A tática do “eles contra nós” não funciona mais diante de um cenário caótico, onde a deterioração vem atingindo todos os setores da economia, acabando com os empregos e, em consequência, atingindo o consumo e a arrecadação de impostos.
 
Especialistas consultados ontem deixam claro que as providências tomadas pelo Planalto até aqui, aumentando a carga tributária, o que atinge prioritariamente o setor produtivo, além de restringir a concessão de alguns benefícios trabalhistas, não passam de paliativo diante do tamanho da crise. Enquanto a economia se retrai, os gastos do governo continuam em alta. Economistas afirmam que, dependendo do tamanho do corte que vem sendo estudado para a máquina administrativa, o Planalto estará dando um tiro n’água. Se o governo não fizer a sua parte, dificilmente a economia brasileira poderá voltar a crescer. E o retorno do imposto do cheque não dará a resposta que o governo espera. É preciso reduzir o peso da máquina administrativa nos Três Poderes e acabar com benefícios que não contemplam o trabalhador comum. Eles só servem para sangrar os cofres públicos.
 
 
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