Em depoimento, diretor do PS admite fiscalização zero dos médicos do ICV


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O diretor-administrativo do PS, Bruno Marinho (à direita), em depoimento à CEI dos Falsários, ontem, na Câmara Municipal
O diretor-administrativo do PS, Bruno Marinho (à direita), em depoimento à CEI dos Falsários, ontem, na Câmara Municipal
As escalas de plantões são trocadas com frequência sem aviso prévio. Os nomes que delas constam como médicos nem sempre são os dos profissionais que, de fato, estão atendendo pacientes. Nem os nomes nem o número de profissionais. Os descansos são feitos de forma aleatória, não há conferência de carteiras profissionais, fichas ou qualquer outro documento. No dia-a-dia do Pronto-socorro “Álvaro Azzuz”, a fiscalização da atuação do ICV (Instituto Ciências da Vida) é zero. Pelo menos é o que disse nessa sexta-feira o diretor-administrativo do PS, Bruno Marinho. 
 
Ele foi ouvido na tarde de ontem pela CEI (Comissão Especial de Inquérito) que investiga o contrato assinado entre a Prefeitura e o ICV e a ação de uma quadrilha de falsos médicos. 
 
Bruno compareceu sozinho à Câmara. Aparentemente calmo, falou sobre a rotina do PS e admitiu que não há fiscalização sobre os médicos do instituto. Não por parte da Prefeitura. “Não temos ninguém para fazer essa verificação in loco dos médicos. Usamos as fichas de atendimento para montar as estatísticas.”
 
Segundo narrou Bruno, as estatísticas se resumem em separar as fichas de atendimento com base nos carimbos dos médicos e contar quantos atendimentos foram feitos e em quais horários. Com base nos dados, é emitido um relatório para a Secretaria de Saúde, que repassa o pagamento do serviço ao ICV. “Não há conferência se o nome carimbado pertence de fato ao médico que prestou o atendimento. Também não há fiscalização sobre o número efetivo de profissionais trabalhando. Tudo é feito com base em fichas físicas, que podem ser manipuladas”, disse o presidente da CEI, vereador Márcio do Flórida (PT). 
 
Ainda de acordo com o diretor, também não há qualquer fiscalização sobre a jornada de trabalho dos médicos e seus descansos. “Não sou o responsável por este acompanhamento. Não sei como são os descansos nem quantos e como fazem plantões seguidos. Tudo fica a cargo do próprio ICV, que tem dois coordenadores”, disse Bruno. 
 
Questionado sobre o fato de, no mês passado, um médico constar como de plantão por mais de 55 horas seguidas, o que seria praticamente impossível, Bruno disse que já viu um mesmo médico dias seguidos atendendo e, na hora de explicar como isso seria possível, admitiu que os profissionais descansam em momentos que deveriam estar nos consultórios. “Nestas ocasiões, notificamos a Secretaria de Saúde”, disse. 
 
Ele também contou que as trocas de escala são comuns e que, nessas ocasiões, os profissionais substitutos não entregam qualquer documento à Prefeitura. “Eles chegam e só falam com o pessoal do ICV mesmo. Não se apresentam a mim.” Perguntado se alguém da Prefeitura fiscaliza essas substituições, ele disse que não. “Que eu tenha conhecimento, ninguém da Prefeitura faz isso no PS.”
 
Para o presidente da CEI, o depoimento foi a confirmação de que não há nenhuma fiscalização sobre a atuação do ICV. “Fica claro que não houve e não há acompanhamento nem dos profissionais nem da qualidade do serviço prestado.”
 
Identificada
Ainda sobre a atuação do ICV em Franca, a delegada Fernanda Ueda, responsável pelas investigações da quadrilha de falsos médicos em Mairinque, disse que a polícia identificou mais uma falsária. Desta vez, trata-se da mulher que usou o nome de Camila Menossi dos Santos. Agora ela deve ser notificada a prestar esclarecimentos. 
 
 

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