Prefeitura suspende enfermeira do PS por depoimento em CEI


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A enfermeira Aparecida Lima mostra a punição que recebeu por ter dito a ‘verdade’ à CEI da Saúde
A enfermeira Aparecida Lima mostra a punição que recebeu por ter dito a ‘verdade’ à CEI da Saúde
Convocada para depor à CEI (Comissão Especial de Inquérito), realizada em 2014 pela Câmara para apurar problemas na Saúde, a enfermeira Aparecida Santos Lima foi punida pela Prefeitura. A servidora alega que ficou dois dias suspensa “por falar a verdade” durante o depoimento e relatar as condições precárias do Pronto-socorro Infantil. Acusada de ser desleal à instituição que servia, a profissional foi suspensa.
 
De acordo com o processo, encerrado no mês passado, a enfermeira teria desrespeitado a hierarquia e a forma de se comunicar seguindo as linhas de autoridade e subordinação; não comunicar seus superiores sobre irregularidades que aconteciam no PS; descumprir determinações de comportamento e disciplina e não guardar sigilo sobre assuntos do local onde trabalha. Além disso, ela teria desrespeitado a autoridade pública. 
 
“Em nenhum momento me ofereci para depor na CEI, fui convocada. Me comprometi a falar a verdade e foi exatamente isso que fiz. O prédio era repleto de problemas, eram várias as reclamações e não era somente a mim que isso incomodava, os outros funcionários também sofriam. Respondi todos os questionamentos com a situação real e acabei punida por isso”, disse.
 
Na época, Aparecida Santos Lima disse que a administração municipal havia sido informada dos problemas existentes no Pronto-socorro Infantil. Ela também afirmou ter sido “nomeada” a catadora oficial de baratas do local, sendo que em uma das vezes chegou a ficar quatro horas matando e recolhendo os insetos. Nesse dia, teria colocado as baratas em uma caixa e encaminhado à Secretaria de Saúde.
 
Convocada para se defender, a enfermeira chegou a se reunir com a comissão responsável pelo processo administrativo por duas vezes. Em uma delas, acompanhada da advogada do Sindicato dos Servidores, apresentou uma cópia de todo o depoimento realizado na Câmara Municipal. “Desde o início já acreditava que não estaria a salvo de uma retaliação. O Alexandre (Ferreira, prefeito) é autoritário e vingativo”, disse.
 
A enfermeira pretende entrar com um processo por assédio moral contra a administração. 
 
Segundo o presidente do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais, Fernando Nascimento, o departamento jurídico solicitará o cancelamento da suspensão da enfermeira, que poderá ter os dois dias descontados do seu salário. “É realmente um absurdo a administração punir alguém por dizer a verdade. Devemos acionar a Prefeitura por assédio moral”, disse.
 
Outro lado 
Procurada para comentar a punição da servidora, a assessoria de imprensa da Prefeitura não retornou o contato da reportagem até o fechamento desta edição. 
 
 

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