Morreu na Itália Dom Carmelo Recchia, construtor do Mosteiro de Claraval


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Dom Carmelo Recchia morreu em Valvasciolo, na Itália, ontem, quarta-feira
Dom Carmelo Recchia morreu em Valvasciolo, na Itália, ontem, quarta-feira
Morreu ontem, quarta-feira, em hospital da localidade de Valvisciolo, Itália, aos 94 anos, Dom Carmelo Domênico Recchia, que trabalhou como abade, entre 1976 e final dos anos 90, na ex-Abadia e atual Mosteiro de Claraval (MG).
 
Dom Carmelo aportou à localidade Garimpo das Canoas em 1950, aos 28 anos, vindo do Mosteiro de Clairvaux, francês, fundado por Bernardo de Claraval (que se tornou São Bernardo), junto a três companheiros, da mesma ordem, Pedro Agostini, Justino Tatangelo e Irmão Nivaldo, cozinheiro, segundo contou o claravalense Assumeni Bachur, que com eles conviveu. 
 
Foram viver na casa paroquial da igreja do lugar e, cedo, puseram-se a lançar a semente da ordem cisterciense junto aos moradores do povoado. Segundo Assumeni, rapidamente tornaram-se amigos de todos, ‘cada um segundo suas habilidades. Pedro era gestor; Justino, bom em organização; Carmelo, um autêntico relações públicas’. Enquanto os companheiros se dedicavam à atividade religiosa e ao atendimento aos moradores da região, Carmelo abriu luta para emancipar o povoado, de Ibiraci (MG).
 
Projeto conquistado, ao novo município ele e seus companheiros propuseram que se chamasse Claraval, aportuguesamento do nome da abadia francesa, Clairvaux. Assim se deu, disse Assumeni. Concentraram-se, então, na construção de um mosteiro. ‘Tenho convicção que, não fosse o empreendedorismo de Carmelo, o mosteiro não existiria. As obras duraram entre 15 e 20 anos. Não havia dia sequer que Carmelo des-prezasse como útil para pedir o auxílio dos moradores da região, para erguer a obra. Jamais esmoreceu’.
 
Ainda segundo Assumeni, ‘mesmo capaz de construir relacionamento duradouros, Carmelo era de uma timidez pavorosa, mas se transformava quando adotava causa como sua. Depois de concretizado o que planejava, recolhia-se. Não gostava de elogios ou agradecimentos. Considerava o trabalho como mera vivência da condição cisterciense, e assim fazia’.
 
Dirigia caminhão, montava cavalos e passava dias e dias em busca de apoio à obra e à cidade. Propôs, como conta Assumeni, baseado em seu gosto por montaria, o que ‘eu considero a semente das corridas hípicas até hoje existentes’. Ocorriam em agosto, mês do nascimento de São Bernardo, último dia de concorridas quermesses organizadas para levantar recursos para continuidade das obras. Os ‘jogos’, como Carmelo chamava a competição hípica, se davam entre as equipes ‘Capoeirão’ e ‘Agudos’, cava-leiros das regiões ‘baixa’ e ‘alta’ da cidade. 
 
‘Para as quermesses, vinha gente de todo lado. Carmelo, que considero o grande mensageiro da Ordem Cisterciense, separava nomes daqueles que, em suas visitas, considerava capazes de apoiar a construção, e lhes pedia prendas e arrematações. Os escolhidos presenteavam os amigos e esses devolviam, arrematando mais prendas’, disse Assumeni, reconhecendo nele um ‘moderno marqueteiro’. A cidade, reco-nhecida ao muito que Carmelo realizou, entronizou busto seu na entrada do mosteiro cisterciense que ajudou a erguer.
 
Aposentado em 1999, foi viver em Valvasciolo, na Itália. Acometido por problemas cardíacos, morreu. Há dois anos, o casal Michel Sad, também muito ligado a Dom Carmelo, o visitou na Itália, demonstrando o cari-nho e o respeito da gente da região ao padre. Assumeni Bachur disse que o mosteiro de Claraval planeja realizar Missa de Ação de Graças em intenção de sua alma, proximamente. 
 
A notícia da morte de Dom Carmelo correu a região. A Prefeitura de Claraval decretou luto oficial de três dias em respeito à memória do padre que dedicou boa parte de sua vida aos claravalenses e a seu mosteiro. Não havia informações sobre o sepultamento de padre quando fechamos este necrológio.

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