Pelo menos oito médicos falsos contratados pelo ICV trabalharam para a Prefeitura de Franca. Um deles atendeu 2.874 crianças no Pronto-socorro Infantil. Dois falsários estão presos e foram denunciados pela Polícia Civil à Justiça por exercício ilegal de medicina, falsificação de documento e formação de quadrilha. Pressionados pelas investigações, outros três se apresentaram sábado às autoridades de Mairinque, onde o escândalo foi descoberto.
Para o vereador Luiz Vergara (PSB), líder do prefeito Alexandre Ferreira (PSDB) na Câmara, apesar das evidências e da gravidade da situação, não existem falsos médicos. Seria ‘invenção’ da imprensa.
A afirmação foi feita durante a sessão de ontem da Câmara, quando ele pediu a palavra para rebater comentário de Márcio do Flórida (PT). O vereador petista havia dito que a população está evitando ir ao pronto-socorro temendo ser atendida por médicos falsários. “A população está preocupada com as invenções, com as mentiras tantas que acontecem. Foi plantada hoje (a informação) que a Prefeitura vai romper o contrato (com o ICV). Essas inverdades colocam as pessoas numa situação bastante complicada”, disse o líder do prefeito.
Uma hora após Vergara sair em defesa dos falsários, Alexandre afirmou que não renovará o contrato com o ICV, que vence no dia 4. Na prática, a decisão significa o rompimento da parceria, que já havia sido prorrogada quatro vezes (leia na Pág. 4A).
Na sessão do dia 11, Vergara já havia dito que os médicos procurados pela polícia não são falsos. “Este governo não contratou um pedreiro para ser médico. Contratou médico, só que eles não estavam autorizados a exercer a medicina no Brasil.” Ao contrário do que tenta garantir o vereador, a própria secretária de Saúde, Rosane Moscardini, informou à Câmara que não existe controle da Prefeitura em relação à contratação dos médicos vinculados ao ICV.
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