Diretor do ICV falta a depoimento na Câmara


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O advogado Paulo Fernandes Lira entrega à Comissão uma justificativa de falta do diretor do ICV, João da Rocha
O advogado Paulo Fernandes Lira entrega à Comissão uma justificativa de falta do diretor do ICV, João da Rocha
O diretor operacional e um dos fundadores do ICV (Instituto Ciências da Vida), João da Rocha, não compareceu nessa terça-feira para depor à CEI (Comissão Especial de Inquérito) formada pela Câmara Municipal para investigar o contrato mantido pela Prefeitura com o instituto e a ação de uma quadrilha de falsos médicos.
 
Em seu lugar, Rocha enviou o advogado Paulo Fernandes Lira, que entregou à Comissão uma justificativa de falta composta por três folhas de papel sulfite. Nela, o diretor se diz vítima. 
 
Segundo ele, uma reportagem publicada pelo Comércio da Franca nessa terça-feira, noticiando a recomendação feita pelos vereadores Márcio do Flórida (PT), Daniel Radaeli (PMDB) e Jépy Pereira (PSDB), membros da CEI, para que a Prefeitura não renove o contrato com a empresa teria provocado uma reação nas ruas. “Alguns chegaram a hostilizar o diretor que se encontra na cidade para prestar esclarecimento.” Também alega que “o noticiário macula e distorce a verdade dos fatos, ferindo de morte a busca da verdade”, diz a justificativa.
 
O diretor ainda afirma que a reportagem “causou visível insegurança tanto para os cidadãos como para o corpo clínico do ICV”.
 
No mesmo documento, o diretor, que há mais de um ano gerencia o serviço médico no “Álvaro Azzuz”, confunde o pronto-socorro com uma UPA (Unidade de Pronto Atendimento) e alega que pessoas, se dizendo vereadores indignados, invadiram o PS na segunda-feira e “covardemente agrediram a médica Fernanda Sumire com insultos infundados”. 
 
Ainda de acordo com o diretor, por conta de todas as ocorrências, ele pediu a redesignação da data do depoimento e que a oitiva seja feita em local seguro para “garantir sua integridade física e moral”.
 
A carta foi lida pelo presidente da CEI, Márcio do Flórida, que repudiou o documento. “Trata-se de um documento protelatório. Diferente do que foi dito pelo diretor, não estivemos no PS na segunda, mas, sim, na sexta, dia 21, e, em momento algum, houve qualquer agressão ou desrespeito aos servidores e médicos que estavam no local. Estivemos lá na maior educação e cortesia”, disse.
 
Márcio ainda afirmou que a Comissão deve convocar a médica Fernanda Sumire para prestar esclarecimento sobre quem a teria agredido e quem seriam as pessoas que invadiram o PS. “É lamentável este documento que recebemos em mãos hoje (ontem). Apesar de ele se dispor a comparecer voluntariamente em outra audiência, na próxima ele será convocado e não mais convidado”, disse o presidente da CEI. 
 
Para o vereador Daniel Radaeli, a justificativa apresentada foi uma estratégia usada para desarticular os trabalhos da CEI. “Não vou emitir juízo de valor. Vou apenas dizer que continuaremos trabalhando e investigando. Nada irá nos atrapalhar.”
 
O terceiro membro da CEI, o vereador Jépy Pereira, também criticou a atitude. “Não vejo razões para uma atitude dessas. Fomos transparentes e respeitamos todos os presentes no PS. Cumprimos nosso dever de fiscalizar e vamos continuar cumprindo.”
 
O novo depoimento do diretor João da Rocha não tem data marcada para ocorrer. 
 
 
NOTA DA REDAÇÃO
 
O Comércio da Franca publica fatos. Os falsários, que se passaram por médicos, são uma realidade incontestável. Dois deles, inclusive, já estão presos e há vários indiciados. Há, ainda em curso, uma série de investigações por parte do Ministério Público e da polícia, para esclarecer como funciona efetivamente o esquema. Em todas as matérias publicadas por este jornal, o ICV, instituto responsável pela contratação desses falsários, teve a oportunidade de se manifestar. Se não há argumentos da parte do instituto que possam explicar essa situação, a culpa não é do jornal. É da própria empresa. 
 
 

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