Assim como vem fazendo em todas as áreas de sua administração, o prefeito Alexandre Ferreira (PSDB) deu mostras, ontem, de que não age com seriedade ou responsabilidade quando se trata da saúde da população francana. Ele reuniu a imprensa em seu gabinete, no começo da tarde, para anunciar em entrevista coletiva que não irá renovar o contrato que mantém com o ICV (Instituto Ciência da Vida), que controla os médicos nos prontos-socorros de Franca. O instituto, que permanecerá atuando até 4 de setembro, trouxe pelo menos oito falsos médicos para atuarem na cidade. Porém, como sempre, faz graça das agruras que milhares de francanos que necessitam de atendimento médico ao deixar claro que este rompimento só acontece por causa do fim do contrato: anuncia uma nova licitação e garante que, se ganhar o certame, o ICV voltará a gerenciar o funcionamento das duas unidades de Pronto-Socorro.
Muitos já veem a atitude como uma arrematada farsa, ainda mais se o instituto que trouxe uma quadrilha de falsos médicos para Franca vencer a licitação. O jogo de cena protagonizado ontem pelo prefeito não engana mais ninguém, ainda mais que até agora Alexandre Ferreira não se dignou a explicar os pagamentos milionários ao ICV e nem a razão da falta de fiscalização sobre os profissionais da OS. Caso alguém de sua Secretaria de Saúde tivesse pesquisado junto ao Cremesp (Conselho Regional de Medicina-SP) e ao CFM (Conselho Federal de Medicina), como fez a repórter Priscila Salles, deste Comércio, facilmente teria descoberto as fraudes antes mesmo da ação policial na região de Sorocaba que descobriu a quadrilha de falsários. Ninguém garante que o fato não voltará a acontecer e que, muito menos, o município continuará pagando muito mais pelo serviço além do acordado em contrato.
Causa mais estranheza ainda a atitude do líder do prefeito na Câmara, vereador Luiz Vergara (PSB), que pela manhã, durante sessão do Legislativo, garantiu que a Prefeitura não iria romper o contrato com o ICV e, pior, afirmou que os francanos não têm qualquer receio de procurar atendimento na rede pública. Para ele, as duas informações foram “plantadas” pela imprensa (leia-se Comércio da Franca) e seriam “inverdades”. Depois voltou atrás, mas não teve jeito: já estava tudo filmado e gravado. Ligado ao serviço de saúde e há pouco mais de seis meses um dos mais atuantes críticos do governo municipal, Vergara não desperta mais surpresa com seus gestos, apenas indignação. Os dois fatos, ocorridos no mesmo dia, deixam claro que a população francana ainda precisa contar com a sorte, já que nada mais se espera de um prefeito autocrata, incompetente, despossuído de sentimento de compaixão, insensível às dificuldades enfrentadas pelos menos favorecidos. Até agora, não fez jus aos votos que recebeu.
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