Creches continuam paralisadas e sem prazo de entrega


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Lucinéia Moraes percorre todos os dias 1,5 km para levar os filhos gêmeos à creche. Unidade inacabada no Jardim Luiza (muro amarelo ao fundo) fica a uma quadra da sua casa
Lucinéia Moraes percorre todos os dias 1,5 km para levar os filhos gêmeos à creche. Unidade inacabada no Jardim Luiza (muro amarelo ao fundo) fica a uma quadra da sua casa
Seguem paradas e sem prazo de entrega as obras das creches dos bairros Jardim Luiza, Guanabara, Palermo City e Quinta do Café. Os prédios foram interditados em fevereiro deste ano, depois das denúncias de fraude envolvendo a FFC Engenharia e Construções, empresa que era responsável pelas construções, e funcionários da Prefeitura. As unidades ajudariam a amenizar a falta de vagas na cidade. Enquanto o problema não é resolvido, mães reclamam da demora para o reinício das obras. 
 
Com a irmã trabalhando em uma fábrica de calçados e há mais de seis meses esperando por uma vaga na creche para o sobrinho, Rosimar Santos de Faria, 33, precisa ficar com a criança. “Ela não tem com quem deixar a criança e, como necessita trabalhar, estou cuidando dele. Mas, o problema é que também preciso ajudar no orçamento de casa e, sem uma vaga para ele, está muito complicado”, disse.
 
Para a moradora do bairro Quinta do Café, Susiene dos Santos, 20, mãe de uma garotinha de 2 anos, a demora na entrega da unidade no bairro e a falta de vagas em outras creches foram os motivos do abandono de um emprego. “Devido à dificuldade em conseguir uma vaga na creche, tive que sair do emprego, porque não tinha com quem deixar a minha filha. Antes, com um salário de R$ 795, cheguei a pagar R$ 480 em uma escolinha particular, mas era inviável. Além da mensalidade, tinha o lanche e eu praticamente gastava todo o salário apenas com isso”, disse. “A solução foi ficar em casa, enquanto não consigo uma vaga. Porém, sem trabalhar, não consigo ajudar no orçamento da minha família e a situação está bastante difícil”, completou. 
 
Já para a pespontadeira Lucinéia Cassiano de Moraes, 35, que mora no Jardim Luiza, o problema é ter que percorrer todos os dias 1,5 quilômetro para levar os filhos gêmeos para uma unidade no Leporace III. “Seria muito mais fácil se a unidade aqui do bairro fosse inaugurada. Prometeram entregar nesse mês, mas não acredito que isso vá mesmo acontecer. A obra está parada há meses e não tem nenhuma movimentação”, disse.
 
Outra a reclamar da demora nas obras e da falta de vagas foi Fabíola Gomides Alonso, 40. Com uma filha de 4 anos esperando uma vaga, a moradora do bairro Quinta do Café precisa ficar em casa, enquanto a unidade não é inaugurada. “Estou aguardando há meses uma vaga para a minha filha. Sem alternativas, tenho que ficar em casa cuidando dela, pois não tenho ninguém para fazer isso por mim”, disse. 
 
A assessoria de imprensa da Prefeitura informou que o nome das empresas que realizarão as obras de duas unidades e o prazo para conclusão serão divulgados nos próximos dias. Já as outras duas unidades continuam em trâmite na área de licitações.

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