Jovens de 7 países participam de feira cultural na praça do Centro


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Intercambistas do Canadá, Egito e Hong Kong durante evento neste mês em Franca: associação auxilia jovens nas viagens
Intercambistas do Canadá, Egito e Hong Kong durante evento neste mês em Franca: associação auxilia jovens nas viagens
Franca abriga atualmente 27 intercambistas de todos os cantos do planeta. Os estrangeiros estão na cidade através da Aiesec, uma associação francesa que promove o intercâmbio social e está presente em mais de 120 países e 70 municípios do Brasil. Para incentivar a troca de experiências, a associação promove hoje o Global Village - uma feira cultural com o intuito de apresentar à população diferentes visões de mundo. Será às 17 horas, na praça Nossa Senhora da Conceição. Dezessete jovens de sete países devem participar do encontro.
 
O escritório de Franca já mediou 335 intercâmbios de jovens interessados em aprender ou praticar outro idioma, conhecer culturas diferentes, gastar pouco e ainda ajudar entidades com trabalhos sociais. Para quem se aventura em terras estrangeiras, as diferenças culturais, gastronômicas e de comunicação costumam render boas histórias.
 
Diferenças
Tânia (Kudryashova Tatyana), que veio da Rússia, e Sú (Mak Yuen Ling), de Hong Kong - quando os nomes são muito diferentes, os intercambistas adotam “apelidos” para facilitar a comunicação - estão em Franca. Segundo elas, a cordialidade foi a primeira boa impressão em terras brasileiras. As duas dizem que até se assustam, às vezes, com abraços e beijos no rosto vindos de desconhecidos. Outra impressão geral é em relação à comida: pratos de sal são muito salgados, e doces, muito doces.
 
Já o clima é um ponto de discordância. Enquanto Tânia - que se acostumou com temperaturas de até incríveis 20ºC negativos no inverno - usa roupas leves e sofre com o calor, o egípcio Ahmed Nader, de 19 anos, anda sempre agasalhado. Uma vez uma brasileira perguntou se ele estava mesmo com frio, porque todos estavam com calor, e ele respondeu: “Hoje não estou com frio, mas calor também não está”. 
 
Eles estão em Franca há pouco tempo, mas têm se adaptado bem. A maior dificuldade é quando se perdem, pois a maioria não fala português e tem de achar alguém que fale inglês para poder ajudá-los.
 
Arvend Applasamy, da Malásia, é outro desses estudantes. Em um mês, ele já distribuiu cestas básicas, levou presentes para crianças do Recanto Esperança e visitou uma criança com câncer no hospital. Tudo isso, fora o trabalho voluntário de marketing em uma ONG - este sim, parte do projeto da Aiesec. 
 
Arvend gostou muito da receptividade e boa vontade dos brasileiros. Mas, como ponto negativo, ele se disse impressionado com o quanto, mesmo pobres, famílias gastam com bebidas alcoólicas.
 
Na outra via
No grupo de intercambistas que fazem o caminho contrário, há jovens como a brasileira Grazielle Roberta Desidério Gouveia. Natural de São José do Rio Preto, a estudante de 24 anos cursa Relações Internacionais na Unesp de Franca. 
 
Ela foi para Varsóvia, na Polônia, dar aulas sobre a cultura brasileira para crianças de 3 a 6 anos. Eram aulas dinâmicas, com brincadeiras como caça ao tesouro usando doces brasileiros - que as crianças adoraram. Quando não estava nas aulas, Grazielle ia a festas na casa dos amigos ou a bares da cidade. Nos fins de semana, ia a museus e viajava pela Polônia. Um choque para ela foi o clima. Mesmo indo na primavera, enfrentou temperaturas entre 7ºC e 10ºC, incluindo dois dias de neve. Apesar do frio, se adaptou bem e disse que se divertiu muito.
 
Guia
Jennifer Vieira Fernandes, 21, é uma das colaboradoras da Aiesec em Franca. Histórias para ela contar não faltam. No último sábado, três garotas que não sabiam nada de português entraram em um táxi, mas não tinham como conversar com o taxista. Então, ligaram para Jennifer, que ouviu o que elas queriam e repassou as instruções ao taxista, por áudios do WhatsApp.
 
Ela é bastante requisitada por já ter um contato prévio com os viajantes. Jennifer é responsável por “vender” Franca aos estrangeiros. Seus argumentos mais comuns são baixo custo de vida, boa culinária e proximidade com pontos turísticos muito procurados em São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais.
 
Como participar
Se você se interessou e quer participar, para viajar é necessário ter de 18 a 30 anos e estar cursando ou ter acabado o ensino superior há menos de dois anos. Segundo Luan Storare Jacob, presidente da Aiesec em Franca, é possível viajar para países da América Latina com pouco mais de R$ 2 mil (dinheiro que cobre passagem, taxa da associação e alguns custos com documentação). 
 
Chegando ao seu destino, moradia e uma alimentação por dia são grátis. O viajante se compromete apenas a ajudar em alguma atividade social credenciada na ONG - a parte mais gratificante da viagem, segundo a maioria.
 
Para quem tem menos espírito aventureiro ou não pode viajar por um mês inteiro, ainda é possível se inscrever no site www.aiesec.org.br/inscricao e receber um intercambista em sua casa. O formulário é bem simples. Depois, é feita uma entrevista para ver qual perfil de estudante se encaixa melhor em sua residência.

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