Três falsos médicos se apresentaram à Polícia Civil de Mairinque, cidade onde o escândalo dos falsários foi descoberto. Um deles atuou em Franca. Trata-se do homem que usou o nome e o registro no CRM (Conselho Regional de Medicina) de Danilo Bringel Landim e atendeu 2.874 crianças no Pronto-socorro Infantil.
O falsário, cuja verdadeira identidade não foi revelada pela polícia, se apresentou na delegacia no último sábado. Ele prestou depoimento e foi liberado. O mesmo aconteceu com outros dois falsos médicos, que atenderam em Nova Odessa. Esses não atuaram em Franca.
Segundo a delegada Fernanda Ueda, uma das responsáveis pelas investigações, a polícia já identificou seis dos oito falsários que atuaram em Franca.
Entre eles, está Bertino Rumarco da Costa, que atendia com o nome de Naas Adonais Carvalho de Assis. Ele, que prestou depoimento ontem, é apontado pela polícia como uma das peças-chave do esquema.
De acordo com as investigações, Bertino era responsável por aliciar estudantes de medicina na Bolívia para atuar ilegalmente em hospitais e prontos-socorros no interior de São Paulo. Ele foi preso no final de julho, na cidade mineira de Caratinga e transferido na sexta-feira para São Paulo.
A delegada disse que Bertino admitiu que usava a identidade falsa de Naas e que atuou em Franca. Também confessou ter conhecimento da ação da quadrilha de falsários, mas negou ser o aliciador. “Ele nos deu alguns nomes que teriam agido em Franca como falsos médicos, que agora devemos investigar”, disse Fernanda Ueda.
Prefeitura e ICV
Às 11h30 desta terça-feira, o prefeito Alexandre Ferreira (PSDB) dará uma entrevista coletiva em seu gabinete no Paço Municipal. Oficialmente, o convite é para apresentar as ações realizadas pela Prefeitura no atendimento médico dos prontos-socorros. Nos bastidores, o motivo da convocação da imprensa seria outro: o anúncio do fim do contrato com o ICV (Instituto Ciências da Vida), empresa que é investigada por envolvimento com a quadrilha de falsos médicos.
Fontes ligadas ao primeiro escalão da Secretaria Municipal de Saúde e do próprio gabinete garantem que, desde a semana passada, quando o oitavo caso de falsário agindo na cidade foi confirmado, a decisão de não renovar o contrato emergencial assinado com o instituto já estava sendo estudada. Inclusive, empresas especializadas na terceirização de serviços médicos foram consultadas para apresentação de propostas de preços. A batida de martelo teria sido dada pelo próprio prefeito na manhã de ontem.
O primeiro contrato com o ICV foi assinado em junho do ano passado. De lá para cá, foi renovado quatro vezes, uma a cada três meses. Sempre em caráter emergencial. O contrato em vigor vence no próximo dia 4 de setembro e não deve ser renovado. Segundo fontes ligadas à Secretaria de Saúde, um novo processo de chamamento público deve ser aberto na próxima semana para escolher qual será a empresa que assumirá o lugar do ICV. A Prefeitura estuda também a possibilidade de contratar diretamente os médicos terceirizados.
A assessoria de imprensa da Prefeitura foi procurada no final da tarde de ontem para confirmar a não renovação do contrato com o ICV, mas não quis comentar o assunto.
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