Em julho último, eu tive o privilégio de falar para um grande grupo de professores no I Congresso Nacional de Educação, realizado no município de Clevelândia, na região sudoeste do Paraná.
Foi um evento incrível, com excelente conteúdo. O que mais me chamou a atenção, mais uma vez, foi constatar o engajamento dos professores.
Ainda fico impressionado com a vontade que professores, de maneira geral, demonstram em aprender mais, de se atualizarem e conhecerem ideias novas, na clara intenção de fazerem melhor aquilo que escolheram como seu trabalho: educar as crianças do nosso país.
Não consigo evitar o pensamento de como seria este Brasil se mais classes de trabalhadores encarassem o exercício de suas profissões da mesma forma com que professores o fazem.
Devo dizer que, até hoje, não conheci professores que tenham escolhido essa carreira porque queriam enriquecer, ou porque queriam um trabalho fácil. Infelizmente, a carreira docente não é das mais recompensadoras no Brasil. E não é fácil de ser exercitada com eficiência e eficácia.
Leva-me a crer que professores têm uma diferença fundamental no que diz respeito ao motivo de terem escolhido a profissão: sabem — e acreditam piamente — que o que fazem é capaz de transformar a vida das crianças e adolescentes que frequentam suas salas de aula. Então, fazem de suas vidas, verdadeiro sacerdócio.
Em seu novo livro Creative Schools (Escolas Criativas), ainda sem tradução para a língua portuguesa, Ken Robinson afirma que se você está envolvido, de alguma forma, com a educação, tem três alternativas: você pode efetuar mudanças dentro do sistema, você pode pressionar por mudanças no sistema ou você pode tomar iniciativas fora do sistema.
Felizmente — ou infelizmente, já que o ideal seria que apenas a primeira opção fosse realidade — nossos professores têm feito as três coisas, o que significa uma coisa só: eles querem mudanças!
Marcos Mayer
Consultor em criatividade e inovação, publicitário, palestrante
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