Uma questão de responsabilidade


| Tempo de leitura: 2 min
O assunto já deveria estar resolvido há tempo, caso tivéssemos uma administração municipal interessada no bem estar dos cidadãos francanos. Não seria necessário que retomássemos este espaço para, mais uma vez, repudiar a forma como o prefeito Alexandre Ferreira (PSDB) vem tratando o assunto relativo à atuação de médicos falsos nos Prontos-socorros de Franca e o ICV (Instituto Ciências da Vida), contratado para gerir o atendimento médico nas unidades. Porém, a total irresponsabilidade, escárnio e ausência de qualquer resquício de compaixão do chefe do Executivo francano nos obrigam a retomar o assunto, na esperança de que, à falta de respostas da Câmara de Vereadores, o Ministério Público intervenha e, por consequência, responsabilize Alexandre por tudo o que está acontecendo.
 
Mais uma vez, em entrevista (como mostra vídeo postado no Portal GCN na sexta-feira), o prefeito debocha dos que lhe deram o voto e, pior ainda, coloca em risco a saúde de milhares de francanos. Ao ignorar as fartas evidências de que uma verdadeira quadrilha de falsários atuou por aqui — e a cidade só ficou sabendo disso por causa das reportagens do Comércio — e agir com menosprezo quando instado a dar explicações, Alexandre Ferreira expõe o que cerca a sua administração: imobilidade diante de irregularidades que se tornaram rotina nos últimos anos, envolvendo inclusive alguns de seus secretários (que continuam exercendo seus cargos) em processos criminais. O mais acintoso é que o número de médicos falsos que atenderam em Franca já chega a oito sem que a Prefeitura dê satisfações aos pacientes que foram atendidos por estes criminosos.
 
O que piora a situação é que a própria secretária de Saúde, Rosane Moscardini, já admitiu, em documento oficial, que sua pasta não efetua qualquer fiscalização sobre a atuação dos médicos contratados pelo ICV para cuidar da saúde dos francanos. O prefeito ainda se recusa a rescindir ou suspender o contrato do Instituto, ao contrário do que fizeram os municípios de Nova Odessa, Alumínio e São Roque, onde funcionava o mesmo esquema. Até em São José dos Campos, onde não houve casos de falsidade, cancelou-se o contrato com o ICV. Em Franca, além de zombar de todos nós, munícipes, Alexandre Ferreira “blinda” o instituto e mantém um contrato milionário, pelo qual paga o dobro do acordado. Espera-se que a CEI (Comissão Especial de Inquérito) aberta na Câmara Municipal, que já encontrou irregularidades no atendimento dos PSs locais, apresente conclusões que deem maior munição para a Justiça mostrar a Alexandre Ferreira que, hoje, quem brinca com a vida dos outros é responsabilizado por isso. E que ninguém está acima da lei.
 
 
email opiniao@comerciodafranca.com.br
 
 

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários