Falso médico atendeu mais de 2,8 mil crianças


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A secretária municipal de Saúde, Rosane Moscardini, apresentou os resultados da auditoria para mapear a ação dos falsos médicos
A secretária municipal de Saúde, Rosane Moscardini, apresentou os resultados da auditoria para mapear a ação dos falsos médicos
Oito meses depois da primeira denúncia sobre problemas na atuação do ICV (Instituto Ciências da Vida) nos prontos-socorros e cinco semanas após o escândalo dos falsários estourar, a secretária municipal de Saúde, Rosane Moscardini, decidiu falar. Na tarde da última sexta-feira, ela apresentou, com exclusividade para o Comércio, os resultados da auditoria interna feita pela Prefeitura para mapear a ação da quadrilha de falsos médicos na cidade. Os números assustam. Só um dos criminosos, o que usou o nome e registro do verdadeiro médico Danilo Bringel Landim, atendeu 2.874 crianças no período em que atuou como falso médico no Pronto-socorro Infantil. Ao todo, os falsários examinaram e medicaram 6.377 pessoas, de julho a dezembro do ano passado.
 
Todos os pacientes tiveram seu histórico analisado. Os que ainda estão sendo atendidos pela rede municipal em UBSs ou nos centros de especialidades, como o AME ou o NGA, não serão chamados para novas consultas. “Verificamos pelo sistema que essas pessoas estão passando por novos médicos e realizando exames. Então, não vimos necessidade de chamá-las novamente”, disse Rosane. 
 
Só serão convocados para novas consultas os pacientes que não aparecem cadastrados na rede municipal. “É um grupo pequeno de pessoas, que não temos como saber se estão bem, porque elas não aparecem nos registros e cadastros do sistema de saúde. Por isso, estamos convocando aos poucos todos para serem reavaliados. De julho para cá, 40 já passaram por novas consultas”, informou a secretária. 
 
Além do número de pacientes, a auditoria também levantou que, no período de julho a dezembro do ano passado, quando os oito falsários estiveram na cidade, 38 pessoas morreram nos prontos-socorros. “Nenhuma dessas mortes foi atestada por um falsário. Agora estamos avaliando se estas pessoas que morreram, em algum momento, foram atendidas por eles (falsos médicos)”, disse Rosane Moscardini. 
 
Segundo a auditoria, desde que o ICV começou a atuar na cidade, em julho do ano passado, ele trouxe para cá 117 médicos. Todos tiveram suas identidades de documentação conferidas pela Secretaria de Saúde. “Identificamos sete profissionais que usavam os nomes de outras pessoas e, em um caso, não conseguimos comprovar que a suspeita tenha, de fato, atendido pacientes.”
 
Pela primeira vez, a secretária divulgou os nomes usados pelos falsários. São os mesmos que o Comércio já vem divulgando com exclusividade: Pablo Vinícius Galvão, Danilo Bringel Landim, Naas Adonais Carvalho de Assis, Camila Menossi dos Santos, Claudia Barbosa de Almeida Medeiros, João Batista Saud Pereira e João Paulo Elias Alves. O nome de Camila de Aquino Cruz também consta da relação, mas, segundo a secretária, não há registro de atendimento a pacientes assinados com esse nome.
 
Um dos falsários recebeu R$ 81 mil em agosto de 2014, após informar que trabalhou 24 horas por dia, todos os dias do mês. O pagamento do supersalário foi denunciado pelo Comércio em dezembro do ano passado (leia texto nesta página).
 
 

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