Pra cachorro


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O programa Fantástico, da TV Globo, domingo último, apresentou reportagem sobre um ‘centro espírita’ que aplica passes espirituais em animais e recebe notícias sobre cachorros desencarnados. Leitores nossos perguntaram se isso é possível. 
 
A relação afetiva entre humanos e animais faz sentido. A irracionalidade é estágio da escalada evolutiva. A essência do ser irracional é nada menos do que uma alma que, conquanto atrasada, está submissa às mesmas leis de progresso e chegará à fase racional, patamar superior do reino animal. A uma das preocupações dos nossos perguntadores, respondemos: é impossível um animal comunicar-se mediunicamente. Não mantém pensamento contínuo, não desenvolve raciocínio, não faz sintonia psíquica. 
 
Sabemos não ser o caso das atividades da instituição noticiada que, por certo, referentemente a animais, mantém intercâmbio mediúnico com espíritos humanos, mas, para dirimir dúvidas de ocasião, elucida-se: comunicação espiritual requer sintonia vibratória entre o perispírito (laço que liga o espírito ao corpo físico) do médium e o do comunicante, além do envolvimento psíquico entre ambos os espíritos, que devem ser de igual natureza. 
 
É oportuno informar que a espiritualidade não se preocupa com notícias sobre animais, por mais que estes nos sejam queridos e bem cuidados por espíritos encarregados de tal mister. É, contudo, admissível que entidades espirituais caridosas amenizem situações profundamente dolorosas nas relações afetivas entre donos e animais. O que fará um Francisco de Assis e sua falange espiritual em favor desses sofredores?
 
Inobstante, acreditamos que a instituição a que se reporta adota tais práticas por duas razões: uma é que dispensa compromisso com fidelidade ao Espiritismo segundo Allan Kardec. A outra, é que, certamente, trata-se de pessoas fortemente movidas pelo naturalmente defensável amor aos animais.
 
 
Felipe Salomão
Bacharel em Ciências Sociais, diretor do Instituto de Divulgação Espírita de Franca

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