Economia: panorama é preocupante


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A deterioração da economia brasileira continua avançando, como se pode comprovar a cada índice divulgado. A inflação permanece alta — podendo chegar aos dois dígitos no final do ano — e, aliada à estagnação que atinge setores importantes da nossa economia como indústria e serviços, causa impactos profundos no mercado de trabalho. As demissões prosseguem em ritmo acelerado (só neste ano foram dispensados quase 500 mil trabalhadores com carteira assinada) e não há nada que indique que o ajuste fiscal e o pacote de crédito à indústria automobilística serão capazes de reverter a situação. A luz no fundo do túnel que encobre esta ladeira que estamos descendo ainda está longe de aparecer. As previsões são de que a recessão não será refreada nem em 2016, já que há pontos importantes que precisam ser atacados para que haja a retomada da atividade econômica.
 
De acordo com o Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) divulgado pelo Ministério do Trabalho ontem, o Brasil fechou 157.905 vagas formais de trabalho em julho. Trata-se do pior número para o mês desde o início da série histórica, em 1992. A indústria de transformação foi a responsável pelo maior número de vagas formais de trabalho fechadas em julho. No mês passado, o saldo do setor ficou negativo em 64.312 postos. O setor de serviços foi o segundo que mais fechou vagas no mês passado, com saldo negativo de 58.010, seguido do comércio, com menos 34.545 vagas, e da construção civil, que fechou 21.996 postos formais de trabalho. O resultado de 157.905 vagas fechadas no País só não foi pior porque a agricultura registrou um saldo positivo de 24.465 novas vagas. No acumulado do ano, foram fechados 494.386 postos com carteira assinada, também o pior resultado para o período da série histórica que, neste caso, começa em 2002.
 
Caso nada seja feito, a situação tende a piorar. Nem o crédito mais barato que os bancos oficiais vão oferecer à cadeia da indústria automobilística, anunciado nesta semana, será capaz de reverter este quadro. Com o câmbio desfavorável e sem perspectivas de que o mercado interno irá reagir em curto prazo, dificilmente o setor será capaz de reabsorver a mão de obra ociosa. Sem um comércio exterior vigoroso e uma política industrial condizente com a realidade brasileira, continuaremos a acompanhar a retração do mercado de trabalho, causando impactos no consumo, na arrecadação e até na valorização salarial. Com poucos empregos e muitos desempregados (mais de um milhão desde o ano passado), há quem se disponha a reduzir os vencimentos para manter o serviço. Essa é a nossa triste realidade.
 
 
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