CEI dos Falsários flagra escala fajuta de médicos, em visita surpresa ao PS


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Comissão de vereadores em um dos corredores do pronto-socorro, durante visita surpresa
Comissão de vereadores em um dos corredores do pronto-socorro, durante visita surpresa
Uma lista fajuta de escala de médicos foi flagrada ontem pela CEI (Comissão Especial de Inquérito) dos Falsários, instalada pela Câmara para investigar as relações da Prefeitura com o ICV (Instituto Ciências da Vida), contratado para gerenciar os prontos-socorros municipais. Os vereadores que integram a Comissão fizeram uma visita surpresa ao PS “Álvaro Azzuz” ontem. O objetivo foi averiguar se havia mais algum falso médico atendendo a população. 
 
Os vereadores requisitaram as identificações dos plantonistas para confrontar as informações. Durante a blitz, constataram que havia menos médicos trabalhando do que o previsto pelo contrato. Também descobriram que os nomes que constavam da escala não batiam com os médicos que estavam, de fato, atendendo. Por fim, foi descoberto que um mesmo profissional estava escalado para trabalhar todos os dias do mês.
 
Por conta do surgimento quase diário de novos médicos falsos e da apreensão que o fato tem causado aos usuários da saúde pública, os vereadores que compõem a CEI, Márcio do Flórida (PT), Daniel Radaeli (PMDB) e Jépy Pereira (PSDB), se reuniram às 8 horas na Câmara para as primeiras medidas práticas. 
 
A Comissão recomendou ao prefeito Alexandre Ferreira (PSDB) que não renove a parceria com o instituto, que vencerá no dia 7 de setembro. “Já está mais do que provado que o ICV não tem condições de continuar atuando em Franca. É mais prudente que a Prefeitura abra licitação para contratar outra empresa. O concurso é demorado e a população não pode ficar sem atendimento”, disse Márcio. “Também solicitamos informações ao prefeito sobre medidas que ele tomou para solucionar o problema. A situação de contrato emergencial não pode permanecer pelo resto da vida”, completou Radaeli.
 
Após a reunião, os vereadores decidiram fazer uma visita surpresa ao PS, para tentar constatar eventual irregularidade. Funcionários proibiram a imprensa de acompanhar e chamaram guardas civis para retirar os jornalistas do local. Havia problemas a serem escondidos. 
 
Os vereadores descobriram que os médicos que estavam atendendo não eram os mesmos cujos nomes constavam da escala afixada na entrada da unidade. “Também constatamos que havia menos médicos do que o estipulado no contrato. No PS adulto, deveriam ser nove, e só tinha oito. No Infantil, tinha seis atuando, enquanto deveriam ser sete”, disse Márcio do Flórida.
 
Os vereadores fotografaram as carteiras de registro dos médicos no CRM (Conselho Regional de Medicina) e anotaram informações para fazerem a conferência dos dados. De acordo com o apurado pela CEI, aparentemente, os documentos eram verdadeiros. As informações colhidas no PS continuarão sendo analisadas, inclusive, com o apoio de outras Prefeituras e da polícia.
 
Também chamou a atenção dos vereadores a forma como os contratados do ICV recebem. “Os médicos precisam ter uma conta jurídica que, até o ano passado, não necessitava, necessariamente, ser deles. Isso significa que um médico falso pode ter recebido no CNPJ de outro profissional”, disse Márcio do Flórida. “Vamos investigar a fundo se isso é um esquema de fazer pagamentos ilegais ou de desviar recursos. Por isso, a importância do apoio da Polícia Civil e do Ministério Público”, concluiu Radaeli.
 
A CEI voltará a se reunir após a sessão da Câmara na próxima terça-feira, quando irá colher o depoimento de um dos diretores do ICV, empresa que colocou pelo menos oito falsos médicos para atenderem pacientes da rede pública em Franca.
 
Após deboche, Alexandre foge de entrevista; assista

 

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