Um projeto que poderia resgatar as origens da Alta Mogiana, trazer a história de Franca à tona e valorizar e proporcionar conhecimento à população sobre a cultura local. Esta era a ideia por trás do Museu Iconográfico Ferroviário que, há 18 anos, não saiu do papel e se transformou em um pequeno espaço tombado pelo Condephaat (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico) de Franca, com três quadros que remetem ao que já foi a ferrovia da cidade.
Muitos desconhecem, mas a cidade possui, ainda que de forma contida, um Museu Iconográfico Ferroviário na rua Francisco Marques, ao lado do Banco do Brasil, na Estação. E, embora o dono da área diga que é possível visitar, a reportagem do Comércio tentou em três ocasiões ter acesso ao interior da casa e não conseguiu.
O mesmo aconteceu com diversas pessoas ouvidas nos quase três meses em que o Comércio tem tentado desvendar a história por trás do MIF. Entre elas, figuram Atalie Rodrigues Alves, que era presidente do Condephaat em 1997, quando o patrimônio foi tombado; a diretora do Museu Histórico, Margarida Pansani; e Ademir de Souza, dono da Nena Viagens e membro da Abpf (Associação Brasileira de Preservação Ferroviária).
“Há alguns anos, eu quis fazer parte do projeto. Mas, ao chegar no espaço, sequer pude visitar. Fui informado que era uma área particular e não tinha ninguém para mostrar o local. Ao oferecer materiais, ouvi a frase: ‘Isso é perda de tempo’”, contou Ademir.
A história teve início em 1997, quando o Condephaat considerou a área de entorno da pequena casa um patrimônio tombado. “Preciso manter a estrutura intacta, independente do que eu faça dentro da casa. Agora, alugo as salas para a Telephoto e tem o estacionamento... Mas não mexa nisso, essa história não é nada”, disse o proprietário em uma das abordagens feitas pelo Comércio, ressaltando que não houve qualquer incentivo da Prefeitura nos governos de Gilmar Dominici (PT), Sidnei Rocha (PSDB) e Alexandre Ferreira (PSDB), e que o museu deve ser esquecido. “Deixe como está, ninguém investiu e ele só permanece aqui porque é considerado um patrimônio particular tombado”, disse.
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