Vinte e seis capitais brasileiras, além do Distrito Federal, foram alvo, ontem, de manifestações de apoio à presidente Dilma Rousseff (PT), organizadas pelas centrais sindicais. Os eventos que, em última análise, foram patrocinados com o dinheiro público e dos trabalhadores brasileiros, perdem a legitimidade por causa dos interesses daqueles que os encabeçaram, em torno de uma ideologia torta que releva as ilegalidades que são capitaneadas pelos que defendem. Além disso, ao fretar ônibus e pagar lanches aos participantes, bancados pelo dinheiro das contribuições sindicais que compulsoriamente são abatidas dos salários de todos os trabalhadores, estas entidades deixam clara a distância que separa as suas manifestações daquelas realizadas no domingo em mais de 200 cidades brasileiras.
Ao tentar contrapor um movimento a outro, os dirigentes sindicais ainda caíram numa armadilha que ressalta a hipocrisia que cercou as ações realizadas ontem. Além de gritar contra os que consideram ‘inimigos do governo e da democracia’, dispararam uma série de críticas contra aquela que diziam defender. A indignação legítima contra a corrupção que vem sendo externada pelos brasileiros nos últimos meses e explodiu nos eventos de domingo passado passou longe de qualquer dos atos de ontem. É isso que mostra a dimensão de um para outro: enquanto a população brasileira faz questão de deixar claro que não compactua com as fraudes que políticos (administradores públicos e legisladores) perpetram cotidianamente, a claque paga vestida de vermelho é seletiva em suas reivindicações. E, tal como os detentores do poder, afastam-se cada vez mais dos anseios, interesses e expectativas da população brasileira.
Por causa do aprofundamento das investigações da Lava Jato, uma série de dúvidas surge e aproxima as investigações, de forma perigosa, do núcleo do poder e das movimentações dos partidos da base aliada, principalmente o PT, o PMDB e o PP. Qualquer tentativa de ignorar a apuração que se processa em Curitiba (PR) é tentar tapar o sol com a peneira. As manifestações de ontem ressaltaram ainda mais a postura da maioria dos brasileiros que não compactuam mais com este tipo de política que tem na corrupção sua marca mais devastadora. De qualquer agente eleito exige-se, acima de tudo, uma lisura que os que detêm o poder (e os que gravitam em torno dele) ainda não possuem. É hora de todos, inclusive os sindicalistas, agirem mostrando mais interesse pelos destinos do País, sem pensar nos próprios bolsos. Só assim poderemos retomar os rumos do crescimento, legando aos nossos descendentes uma Nação plena de direitos e justa na cobrança dos deveres de seus cidadãos.
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