Prefeituras rompem contrato com empresas envolvidas com falsários


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Imagem de arquivo da fachada do PS Municipal
Imagem de arquivo da fachada do PS Municipal
Em cidades do Estado de São Paulo onde as empresas Innova e ICV (Instituto Ciências da Vida) atuaram, os desdobramentos das denúncias envolvendo a ação de uma quadrilha de falsos médicos foram bem diferentes do registrado em Franca. Em Nova Odessa, Alumínio, São Roque e São José dos Campos, Prefeituras e hospitais para os quais as duas empresas prestaram serviços romperam ou suspenderam os contratos em vigor. Em Franca, mesmo diante da comprovação do oitavo caso de um falso médico atendendo, a Prefeitura mantém o contrato com o ICV. 
 
Em Nova Odessa, cidade vizinha a Campinas, os primeiros problemas relacionados ao ICV surgiram antes mesmo do escândalo envolvendo falsos médicos. Lá, o ICV foi contrato em julho do ano passado para gerenciar o atendimento médico no hospital da cidade. A duração do contrato era de cinco anos e previsão orçamentária de R$ 33 milhões por ano. Mas já nos primeiros quatro meses, surgiram denúncias de irregularidades. 
 
Uma comissão foi formada para investigar e foram constatados problemas relacionados à falta de documentos e não comprovação de pagamentos de encargos trabalhistas, de médicos, e também de contas básicas como água, luz e telefone, o que acabou motivando o rompimento do contrato e um pedido de indenização de R$ 1,6 milhão. 
 
Meses depois, com o escândalo dos falsos médicos, foi a vez da Santa Casa e da Prefeitura de São Roque agirem. No município, os falsos médicos atuaram contratados pela Innova, que teve seus contratos também rompidos. O mesmo aconteceu na cidade de Alumínio, onde a empresa também atuou. 
 
Por fim, na semana passada, foi a vez da Prefeitura de São José dos Campos também romper o contrato. No município, o ICV gerenciava a UPA (Unidade de Pronto Atendimento) do Jardim Putim. Mesmo não detectando qualquer irregularidade na prestação de serviços no município, o prefeito Carlinhos Almeida (PT) decidiu rescindir o contrato. “A decisão de encerrar o contrato com o ICV ocorreu porque, embora a OS esteja cumprindo à risca o contrato firmado em São José dos Campos, a empresa foi penalizada em outras cidades do Estado de São Paulo com suspensão temporária, impedimento em firmar novos contratos e até uma declaração de inidoneidade”, disse em nota divulgada à imprensa.
 
Em Franca
Enquanto nos outros municípios medidas duras foram tomadas diante das graves denúncias, em Franca, a Prefeitura mantém o contrato com o instituto mesmo com a constatação do oitavo caso de falso médico atendendo pacientes nos prontos-socorros. Desta vez, uma mulher atendeu no PS “Álvaro Azzuz” com o nome de Camila de Aquino Cruz, tendo inclusive solicitado exames em nome do município. 
 
Camila é médica formada pela Universidade Federal do Ceará, com especialização em neurologia pelo Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto. O Comércio conversou com ela, que está em um congresso no Rio Grande do Sul. Ela negou que tenha prestado serviços ao ICV e atendido pacientes no pronto-socorro. “Eu conheço Franca, mas nunca trabalhei para a Prefeitura ou para o ICV.” Ela é a oitava médica a ter o nome usado por falsários na cidade. 
 
A delegada que investiga a ação dos falsários, Simona Ricci, disse que já havia identificado o caso de Camila de Aquino e que investiga a identidade da falsária. 
 
A assessoria de imprensa da Prefeitura disse que o nome já era investigado pela auditoria interna da Secretaria de Saúde, mas que não havia uma conclusão a respeito. 
 
Já o ICV negou que uma mulher com o nome de Camila de Aquino Cruz tenha prestado serviços como contratada no Pronto-socorro e ressaltou que continua colaborando com as investigações. A empresa disse também ser vítima da ação da quadrilha.

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