Último ato dos desesperados


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As coisas seguem o mesmo roteiro sempre que envolvem agentes políticos e públicos em contextos de corrupção. Assim aconteceu em ocasiões anteriores, como no caso do Mensalão, quando se tentou até negar a existência do esquema que, ao final do processo, levou políticos beneficiados para a cadeia. Agora, repete-se no Petrolão, que entra em nova fase: depois do juiz federal Sérgio Moro condenar participantes do esquema fraudulento que desviou milhões dos cofres da Petrobras, a PGR (Procuradoria Geral da República) começa a denunciar os políticos implicados, que têm foro privilegiado, ao STF (Supremo Tribunal Federal). Desde meses atrás, quando começaram a aparecer nomes de deputados, senadores, ministros e dirigentes partidários nas investigações da Lava Jato, veio o contra-ataque daqueles que foram flagrados cometendo irregularidades com o dinheiro público.
 
Agora, o nome da vez é o do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, que sofre cerrados ataques do senador Fernando Collor de Mello (PTB), um dos primeiros a terem o nome denunciado, ao lado do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB). Collor, boquirroto como sempre, dias atrás já havia protagonizado cena deprimente, ao dirigir um palavrão a Janot, no final de um discurso que fazia na tribuna do Senado. Ontem, voltou à carga ao tumultuar uma reunião da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) da Casa, tentando apresentar uma ‘lista de suspeitas’ contra o procurador, que foi reconduzido ao cargo pela presidente Dilma Rousseff (PT) e deverá ser sabatinado pelo plenário do Senado (que pode aprovar ou não a indicação) na próxima semana. O senador petebista busca se defender com ataques raivosos sem apresentar qualquer prova que prove a sua inocência.
 
Já Eduardo Cunha perdeu o último round da batalha que trava com a Justiça para ficar isento das investigações: não conseguiu remover o juiz Sérgio Moro do comando do processo e agora vê seu nome sendo denunciado. O Brasil, nas manifestações do último domingo, deixou claro que não acredita neste tipo de manobra. O fortalecimento das instituições, como a PF e a Justiça Federal, passa pelo apoio popular, que não vem faltando agora. A denúncia de Collor e Cunha é o primeiro passo para que sejam indiciados dezenas de outros políticos que foram citados pelos presos na Lava Jato. Será o primeiro passo para que se faça uma verdadeira depuração na classe política brasileira que, aparentemente, ainda não aprendeu que o mandato não é uma carta branca para a ilegalidade. Depois, cabe ao eleitor dar-lhes o destino que merecem: o lixo da história.
 
 
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