Moradores de rua transformam região do Abrigo em cracolândia


| Tempo de leitura: 3 min
Deitados em colchão, moradores de rua ‘curtem’ uma sombra nas proximidades do Abrigo
Deitados em colchão, moradores de rua ‘curtem’ uma sombra nas proximidades do Abrigo
Cenas de sexo na calçada, utilização de drogas, brigas, odor de fezes, urina e alimentos em decomposição são alguns dos problemas relatados por vizinhos do Abrigo Provisório, na avenida Dom Pedro I. O local se transformou em uma cracolândia.
 
De acordo com quem vive ali, a área externa do abrigo tem servido como uma espécie de hotel para os moradores de rua. Com medo de possíveis retaliações, a vizinhança só se pronunciou sobre o assunto mediante anonimato.
 
“É uma situação constante. Vemos mães tendo que atravessar a avenida com carrinho de bebê porque, na calçada do abrigo, é impossível transitar. Fora os atos obscenos: eles cobrem parte do corpo, mas é claro o que estão fazendo. Já reclamamos para a Prefeitura, polícia... Quando isso acontece, melhora durante uns dois dias, mas não resolve”, disse uma moradora. “O cheiro tem incomodado bastante. Muitas vezes, eles fazem a calçada de banheiro e, ainda por cima, espalham os restos de comida e lixo. Quando o sol bate, fica insuportável.”
 
Outra reclamação é sobre a mendicância. De porta em porta, nos semáforos e estabelecimentos comerciais, o pedido de dinheiro é constante. “Não tenho sossego. É dinheiro, comida, café, roupa, tudo e todo dia”, afirmou um morador. “Eu vejo eles vagando, fumando todo tipo de coisa... Ouço muita gritaria, briga, então, não saio de casa nem para olhar”, disse outro.
 
Em uma breve passagem do Comércio pelos arredores, foi possível observar pessoas aglomeradas em um colchão de casal, sob uma árvore, na calçada da avenida. Em um terreno baldio localizado a menos de um quarteirão do abrigo, pelo menos dez moradores de rua se encontravam próximos a uma cabana improvisada. Enquanto esteve lá, a reportagem chegou a ser abordada. “Não vou mentir, quero dinheiro pra comprar minha pinga, minha maconha, meu crack”, disse um deles. Questionados sobre por que não buscavam ajuda no Abrigo Provisório, a resposta também foi dotada de sinceridade. “É ‘embaçado’. Tem horário pra entrar e, às vezes, eles falam que não tem vaga. Mas eu não sou santo: gosto da minha pinga e lá não pode.” 
 
Além da franqueza, os moradores demonstram demasiada carência. “Vocês não deram dinheiro pra gente, mas só de falar já está bom. Ninguém fala, porque ‘nóis’ é lixo. Se precisar de qualquer coisa, vamos estar lá no sinal (semáforo)”, disse ao se despedir.
 
Outro lado
O auxiliar de coordenação do Abrigo, Dario Rosa dos Santos, diz que há dificuldades “por ser um serviço de alta complexidade”: “Atendemos pessoas em situação de rua, em que a maioria faz uso de algum tipo de substâncias lícitas e/ou ilícitas”. Mas, contrariando a reclamação dos vizinhos e o que foi flagrado pelo Comércio, diz que “na frente ao Abrigo, não há uso de drogas nem prostituição”.
 
Segundo Santos, a entidade oferece 80 vagas - 65 para homens e 15 para mulheres. “São preenchidas as vagas quase todos os dias. E, muitas vezes, eles saem no meio da noite dizendo que o vício é muito difícil.”
 
Já a Prefeitura informou, via assessoria de imprensa, que “nas visitas de monitoramento realizadas pela Secretaria de Ação Social à entidade, não observamos nenhuma alteração expressiva na interação da unidade com a vizinhança. No entanto, a partir de agora, vamos reforçar o trabalho da abordagem social naquele local”.
 

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários