O primeiro depoimento da CEI (Comissão Especial de Inquérito) que investiga a ação de falsos médicos em Franca já tem data e hora para acontecer. Será na próxima terça-feira, dia 25, às 18 horas, no Plenário da Câmara. O convocado é o fundador e atual diretor de operações do ICV (Instituto Ciências da Vida), João Rocha.
A convocação foi decidida na tarde dessa quarta-feira, depois de uma visita surpresa do diretor ao presidente da CEI, vereador Márcio do Flórida (PT), em seu gabinete. “Ele compareceu por volta das 14h30. Estava acompanhado do advogado e se dispôs a prestar esclarecimento. Mas, como a Comissão precisa cumprir as formalidades e ter a presença dos outros dois membros, decidi não ouvi-lo”, disse Márcio. A oitiva foi marcada, então, para a próxima terça-feira, logo depois da sessão ordinária da Câmara.
O presidente da CEI disse que João Rocha e o advogado vieram a Franca por conta de um inquérito existente na Polícia Civil também para investigar a ação dos falsários e alegaram que estavam aproveitando a viagem para já se colocarem à disposição da CEI.
Como o advogado estava presente, Márcio aproveitou a oportunidade para entregar o ofício solicitando diversos documentos do ICV sobre os serviços e atendimentos prestados em Franca. “Precisamos analisar todos os fatos relativos ao contrato assinado entre a Prefeitura de Franca e o ICV. Também é preciso esclarecer muitos pontos sobre a contratação dos profissionais e a fiscalização dos mesmos.”
Além dos ofícios entregues ao ICV, outros foram distribuídos para diversos órgãos, também pedindo informações, entre eles, o Cremesp (Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo) e a própria Prefeitura.
Entenda o caso
Desde o final de julho, sete falsos médicos já foram identificados atuando nos dois prontos-socorros da cidade, contratados pelo ICV. Pablo Mussolim e Bertino Rumarco da Costa estão presos por envolvimento com a quadrilha de falsários. Os outros cinco ainda estão sendo investigados pela polícia.
No esquema, pessoas se passando por médicos usavam ilegalmente o nome e o registro de profissionais verdadeiros. O Comércio conseguiu entrar em contato com eles, que confirmaram jamais terem estado aqui na cidade ou prestado serviços ao ICV.
Durante o último ano, por meio de um contrato assinado sem licitação, a Prefeitura já repassou ao ICV R$ 19,1 milhões, quase o dobro do previsto. Mesmo diante das irregularidades a Prefeitura de Franca mantém seu posicionamento de não romper o contrato.
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