Não deixa de ser vergonhosa a atitude da Prefeitura Municipal diante da constatação de que uma quadrilha de falsos médicos atuou por vários meses em Franca, inclusive um deles (preso na região de Sorocaba), Pablo Mussolin (aqui atuando como Pablo Galvão), tendo recebido vencimentos superiores a R$ 80 mil por um mês de trabalho alegando ter feito 31 plantões seguidos de 24 horas. Se a situação não tivesse sido levantada pela repórter Priscilla Sales, do Comércio, dificilmente haveria os desdobramentos que se seguiram. Aliás, não tivesse sido o trabalho de jornalismo investigativo sério, dificilmente seria descoberta a ação desta quadrilha que coloca mais uma suspeita em relação ao gerenciamento da saúde pública em Franca na última década, envolvendo diretamente o prefeito Alexandre Ferreira (PSDB), que conduziu a Secretaria Municipal de Saúde por seis anos.
A falta de qualquer esclarecimento, “mea culpa” ou reconhecimento do caos na saúde pública, da qual depende grande parte da população francana, é bastante esclarecedor quando se trata da administração de Alexandre. Em vez disso, ele prefere gastar R$ 19 mil por dia para levar avante uma propaganda mentirosa, apresentando o setor como “de excelência”. Além da cara de pau de alguém que não se envergonha em escancarar aos quatro ventos uma mentira que todo o município já conhece. Até hoje, as dez mortes relacionadas ao atendimento médico em Franca não foram devidamente explicadas. E muito menos se há relação com algum dos falsos médicos que atenderam aqui e receberam bem. E o pior: não informa se houve mais bandidos desta quadrilha atendendo nos Prontos-socorros locais e os procedimentos efetuados por eles. Na região de Sorocaba - em Mairinque, Alumínio, São Roque e Araçariguama -, as administrações municipais auxiliam as investigações. Aqui em Franca, nada.
Será necessária uma ação da Justiça para obrigar o prefeito e sua secretária da Saúde, Rosane Moscardini, se manifestarem? Será que será preciso que o Ministério Público intervenha para que a Municipalidade cancele o contrato (firmado sem licitação) com o ICV (Instituto Ciências e Vida), que trouxe estes falsários a Franca? Ainda esperamos que o prefeito tenha um surto de humanidade e venha a público prestar todos os esclarecimentos que a população francana merece. O silêncio só serve para criar mais suspeitas de que o prefeito não apenas mostra desinteresse pelo que acontece com os cidadãos francanos, mas de sua conivência com o que vem acontecendo. É uma situação grave e que não pode mais continuar. Com a palavra, o prefeito.
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