“Espero que coações não aconteçam. Se acontecerem, não terei medo de tomar as ações e dar voz de prisão, se necessário.” A frase é do vereador Daniel Radaeli (PMDB), que também é delegado de polícia, prometendo que irá prender quem tentar atrapalhar as investigações da CEI (Comissão Especial de Inquérito) aberta pela Câmara para apurar as relações da Prefeitura com o ICV (Instituto Ciências da Vida). A empresa foi contratada pelo município para gerenciar os prontos-socorros de Franca no ano passado. Desde então, sete falsos médicos foram confirmados atuando no atendimento à população.
Mesmo sendo do PMDB, partido do vice-prefeito Fernando Baldochi e de assessores e conselheiros do prefeito Alexandre Ferreira (PSDB), Radaeli afirmou que não admitirá pressões para aliviar na fiscalização que fará à frente da CEI. “Espero que colaborem nas inquirições e apreensões de documentos que faremos. Temos o dever de apurar”, disse o vereador, que é o relator da Comissão.
Os integrantes da CEI - formada também pelo presidente Márcio do Flórida (PT) e Jépy Pereira (PSDB) - se reuniram pela primeira vez, ontem, para traçar os planos de trabalho. O primeiro passo será analisar as cópias do contrato que a Comissão recebeu da Prefeitura. A promessa é que a investigação será técnica e que os responsáveis pela contratação dos falsários serão punidos.
“O fato é muito grave. Estamos diante de uma calamidade pública. Estão brincando com a saúde do cidadão. Procuraremos o assessoramento da Polícia Civil, do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) e da Polícia Federal. Vamos a fundo na investigação para chegar à verdade. Até agora, aponta-se para uma organização criminosa instalada em Franca”, ressaltou Radaeli.
As afirmações contundentes do vereador foram feitas no mesmo dia em que a Secretaria Municipal de Saúde admitiu que não fiscaliza os médicos contratados pelo ICV (leia texto nesta página). Para Radaeli, a partir do momento em que lava as mãos, a Prefeitura abre espaço para a proliferação de médicos falsos. “É uma abertura total para que isso aconteça. Quando não há fiscalização, você pode montar uma empresa de fachada e contratar quem bem quiser para fazer o serviço. É inadmissível que uma situação dessas esteja acontecendo em nossa cidade.”
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