A exemplo da iniciativa da população de duas localidades vizinhas no Paraná, que pressionaram as Câmaras Municipais para a redução salarial, três cidades da região de Franca - Pedregulho, São Joaquim da Barra e Cássia (MG) - também estão com movimentos pedindo o corte nos salários dos vereadores, prefeito e vice.
Em Pedregulho, a proposta partiu do radialista Leandro Gustavo Ferreira Valadão, após ouvir diversas reclamações de populares sobre a situação crítica da cidade. “A população não tem remédios, há ruas sem asfalto e praças com falta de manutenção. Isso acontece ao mesmo tempo que o município perdeu receita de ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços)”, disse.
Para Valadão, o corte nos rendimentos de todos os agentes políticos, o que também inclui os secretários municipais, seria uma forma de gerar economia aos cofres públicos. Pelas suas estimativas, R$ 600 mil anuais deixariam de ser gastos caso os salários dos vereadores reduzissem de R$ 3,5 mil para R$ 1,1 mil.
Em se tratando do vice e do prefeito, a redução proposta altera os salários de R$ 5,6 mil e R$ 14,6 mil, respectivamente, para R$ 3,9 mil e R$ 7,8 mil. “São valores satisfatórios que a própria população sugeriu e, se tivermos a união de todos, será possível conseguir”, afirmou.
Nesse intuito, assinaturas começarão a ser coletadas no sábado, 22, em diversos pontos da cidade. A meta é alcançar mil apoiadores para que a proposta possa ser transformada em projeto de lei de iniciativa popular. “A população está animada, creio que não será difícil.”
O prefeito José Raimundo de Almeida Júnior, o Zezinho do Galego (PMDB), disse não se impor ao projeto. “Iniciativas como essa são sempre bem-vindas, principalmente se for democrática e não tiver especulação política. Apoio também por ser cidadão, em primeiro lugar.” O presidente da Câmara de Pedregulho, Carlos Fernando Peracini (DEM), também foi procurado, mas preferiu não se manifestar. “Vamos aguardar mais um pouco, antes quero me reunir com os vereadores para discutir o assunto”, disse.
Na mineira Cássia, o descrédito da classe política e a dificuldade financeira da Prefeitura foram alguns dos fatores que motivaram o presidente da Câmara, Ezequias de Sousa Rodrigues (PSD), a levantar a ideia da redução dos salários. Segundo ele, “antes de apontar o dedo para o outro, é preciso cortar na própria carne”. Caso aprovado, o projeto estabelecerá o ganho dos vereadores, prefeito e vice em conformidade com o salário mínimo. Os vereadores deixarão de receber R$ 2,3 mil para receberem um salário mínimo e meio. “Estou encontrando oposição desde o início, mas me proponho a candidatar novamente para ter esse salário. Com a redução, vamos ver quem realmente quer trabalhar pela cidade.”
Salário ‘abusivo’
Em São Joaquim da Barra, moradores organizam um abaixo-assinado em que pedem a redução dos salários do prefeito, vice e vereadores em 50%. O maior descontentamento na cidade é com o salário do prefeito, que recebe R$ 22,2 mil, valor superior inclusive ao do governador do Estado de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB). Para que a proposta seja levada para votação na Câmara e possa vigorar na próxima legislatura em 2017, o movimento necessita de 1,2 mil assinaturas para transformá-la em projeto de lei de iniciativa popular e, depois, do apoio dos vereadores.
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