Amigos são espancados até a morte em Igarapava


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Imagem de arquivo da Santa Casa de Franca onde uma das vítimas foi atendida e não resistiu
Imagem de arquivo da Santa Casa de Franca onde uma das vítimas foi atendida e não resistiu
Dois assassinatos e uma tentativa de homicídio com requintes de crueldade foram registrados em Igarapava (66 km de Franca). No sábado, Janiel Paixão dos Santos, de 28 anos, e Amilton César Pereira, 27, foram espancados até a morte por, no mínimo, três homens não identificados. Uma terceira vítima, o lavrador José Souza Santos Filho, de 33 anos, conseguiu fugir e procurou a polícia após quase morrer nas mãos dos bandidos.
 
Os crimes aconteceram no final da noite de sábado (15) em uma propriedade que fica próxima da rodovia Anhanguera, conhecida como “Prainha do Rio Grande”. De acordo com José, ele e os amigos teriam saído de Delta (MG), onde moravam, para beber e aproveitar o sábado de sol às margens do rio. “Era um costume que tínhamos e que muitas pessoas fazem, já que Delta é próxima de Igarapava. Fomos lá para beber e nos banhar no rio”, disse. Após passarem o dia próximo do local e bebendo, Janiel, Amilton e José tinham planos de dormir em um barraco, construído com madeira e lona preta. Mas, por volta de 23h30, quando estavam no interior da casa improvisada, homens chegaram gritando e ordenaram que saíssem de cabeça baixa. 
 
Já do lado de fora, os amigos se ajoelharam e passaram a ser agredidos com pedaços de madeira e alumínio. Mesmo com lesões nos braços e pernas, o lavrador conseguiu fugir. Ele chegou em Igarapava e recebeu atendimento na Santa Casa. “Eles arrebentaram tudo e eu corri pela mata. Não consegui ver quantos eram, pois estava escuro. Mas acho que eram três ou quatro homens”, contou o sobrevivente à reportagem do Comércio. 
 
Acionados por telefone, os policiais militares Fransérgio Teixeira e Fábio Lança foram até a Prainha, onde se depararam com um verdadeiro cenário de horror. Janiel, que foi espancado até a morte, estava caído do lado de fora do barraco com um grande ferimento na cabeça, enquanto Amilton permanecia vivo e agonizando do lado de dentro. 
 
No boletim de ocorrência registrado na delegacia de Igarapava, consta que Amilton exalava forte odor etílico e se encontrava em estado de choque. Ele foi levado para o mesmo hospital que José, com vários hematomas na cabeça e no rosto. Posteriormente, foi transferido para a Santa Casa de Franca, onde morreu horas depois.
 
Perto do barraco improvisado, os policiais encontraram três canos de alumínio manchados de sangue e três pedaços de madeira que, segundo o delegado de Igarapava, Jucélio de Paula Silva Rego, podem ter sido utilizados no bárbaro crime. “As investigações já estão em curso para esclarecermos esses trágicos crimes ocorridos na cidade”, afirmou o delegado, que instaurou inquérito para apurar os crimes.
 
Questionado sobre a atrocidade cometida, José, que trabalha na colheita de laranja na região de Delta, demonstrou estar assimilando os assassinatos de seus amigos. “Éramos amigos há quase 13 anos. A gente gostava de farrear e tinha acabado de jantar quando tudo aconteceu. Depois disso, não volto mais lá no rio e acho que Deus me deu uma nova chance.”
 
Durante toda a noite de domingo, o corpo de Janiel Paixão dos Santos, natural de São Miguel dos Campos (AL) foi velado. Às 8 horas de ontem (17), ele foi sepultado no Cemitério de Delta. Já Amilton César Pereira foi removido pela Funerária Xavier na noite de segunda-feira para o Maranhão, seu estado de origem. Seu corpo será sepultado na próxima quinta-feira. 
 

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