Deflagrada em 17 de março de 2014 pela Polícia Federal, a Operação Lava Jato investiga um esquema bilionário de desvio e lavagem de dinheiro envolvendo a Petrobras. O que começou como mais um trabalho de investigação da PF, em Curitiba (PR), tendo como alvo um posto de gasolina, expõe hoje o maior esquema de corrupção já descoberto do País e amplia mais o foco, chegando a outros órgãos do governo, direcionando o levantamento para as obras das arenas da Copa do Mundo de 2014, sob suspeita de superfaturamento. O que muita gente não sabe é que a Lava Jato começou com uma investigação sobre as atividades de um posto de gasolina (com lava jato, daí o nome da operação) em Curitiba, que tinha ligações com o doleiro Alberto Youssef, principal informante. Levou à prisão de ex-diretores da Petrobras, donos de empreiteiras e colocou partidos e políticos sob a mira da investigação.
Caso não houvesse aquela primeira batida que levou a Youssef e depois a Paulo Roberto Costa, dificilmente o País descobriria que a Petrobras (e Caixa Econômica Federal, Eletronuclear e Ministérios da Saúde e do Planejamento) estaria sendo usada para irrigar o cofre de legendas partidárias, engordar o caixa de campanhas eleitorais e encher o bolso de políticos e velhacos que tramitam na órbita do poder. Não fosse a investigação, não saberíamos que o achaque acabava tornando a propina legal, entrando como doação eleitoral, e muito menos que foi criado um clube de empreiteiras para realizar todas as transações. Do dia para a noite, o nome do juiz federal Sérgio Moro tornou-se conhecido e a sua seriedade não permitiu que o foco do processo fosse desviado. Vários implicados já foram sentenciados e mais outros ainda virão.
A Operação Lava Jato, que já entrou em sua 18ª fase, é um verdadeiro alento para o brasileiro, que já tinha ido às ruas, há dois anos, protestar contra a corrupção, entre outros temas. Neste domingo, nova manifestação popular está programada para centenas de cidades do País, pedindo desde a saída da presidente Dilma Rousseff (PT) até a condenação de todos os que forem considerados culpados pelo desvio de dinheiro da maior estatal brasileira. Os protestos, uma garantia democrática, têm que ser encarados como expressão da liberdade preconizada em nossa Carta Magna. Assim como o Comércio sempre defendeu a livre manifestação do pensamento, não pode deixar de destacar mais uma demonstração da vontade popular neste domingo. São movimentos assim que fortalecem nossas instituições e permitem trabalho isento, sério e responsável como o levado a cabo pela PF e pela Justiça Federal.
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