‘Não quero mais voltar para lá, onde viramos vítimas do medo’


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Dona de casa observa a cidade da sacada de seu apartamento, para onde se mudou após ser assaltada na casa em que morava
Dona de casa observa a cidade da sacada de seu apartamento, para onde se mudou após ser assaltada na casa em que morava
Foi o medo que levou uma dona de casa de 45 anos e sua filha de 18 a se mudarem de uma casa, onde ela morou por décadas, para um apartamento. No mês passado, nas primeiras horas da manhã, quatro bandidos invadiram sua residência, na zona oeste da cidade, e durante cerca de 20 minutos aterrorizaram as vítimas. Violentos, mesmo sem reação das duas, os criminosos agrediram a dona de casa e chegaram a apontar um revólver para a jovem. “É um trauma que jamais será esquecido. Não pretendo nunca mais voltar para o local onde viramos vítimas do medo. É complicado falar sobre o sentimento que fica depois de uma violência como a que vivemos, sei que nunca é muito tempo, mas hoje falo que nunca mais quero voltar a morar naquela casa”, disse.
 
No dia em que teve a residência invadida, enquanto os ladrões entravam em sua casa, a vítima conseguiu acionar a polícia. No pouco tempo em que estiveram no imóvel, os homens foram extremamente violentos e agrediram a dona de casa, além de ameaçarem sua filha de morte.
 
Com a chegada dos policiais, três homens acabaram presos e um menor foi apreendido. Mesmo com a prisão, a vítima relata que o medo persiste e ela preferiu sair de casa depois que os bandidos prometeram voltar. 
 
Uma comerciante de 48 também foi alvo da violência de bandidos em Franca. Desta vez, na zona leste. No dia em que seu estabelecimento foi invadido, além de ser agredida, ela presenciou o assaltante apontar uma arma para a cabeça do filho de 10 anos, ameaçar matá-lo e ainda tentar disparar duas vezes contra um de seus funcionários. Por sorte, o revólver “picotou”. “A ação foi bem violenta. Ele me agrediu e o tempo todo ameaçou o meu filho com uma arma. No momento tive medo de uma tragédia”, disse ela. “Hoje estou bem mais apreensiva. Meu filho demorou um tempo para conseguir dormir normalmente e às vezes ainda tem pesadelos”. 
 
No primeiro semestre deste ano, foram registrados 394 roubos na cidade. Esse número representa uma média de dois casos por dia. As estatísticas fazem parte do balanço de ocorrências divulgado pela Secretaria de Segurança do Estado de São Paulo.
 
Um vendedor de 35 anos, morador da região central, ajuda a engrossar as estatísticas das vítimas de roubos. Ele já foi assaltado várias vezes, mas a última o traumatizou por ser cometido por uma pessoa conhecida. “Saí de casa para ir ao vizinho. Fui abordado enquanto estava de costas e mesmo sem qualquer reação, fui cruelmente agredido. Ele foi tão bruto que fraturou meu pulso, rasgou a minha roupa... isso é muito difícil. Já fui assaltado outras vezes e, claro, sempre é péssimo, mas dessa vez realmente foi mais assustador”, disse.
 
Prevenção
Sobre os casos de roubos em Franca, a Polícia Militar informou que o patrulhamento na cidade é realizado por viaturas distribuídas por setores específicos de atuação a partir de planejamento estratégico elaborado diariamente com base nas estatísticas criminais.
 
Para auxiliar a população a se prevenir de assaltos, a PM listou algumas dicas de segurança. Entre elas estão ficar atento a movimentação de desconhecidos perto de casa e estabelecimentos comerciais e evitar passar informações sobre sua rotina para outras pessoas.
 

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