Expo Milão II e o desperdício


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O que o chef italiano Massimo Bottura quer mostrar é que se pode utilizar as sobras com bons resultados, não apenas fazendo um “mexidinho”
O que o chef italiano Massimo Bottura quer mostrar é que se pode utilizar as sobras com bons resultados, não apenas fazendo um “mexidinho”
Na semana passada, fomos, através dessas linhas, até Milão, na Expo Milão, onde nosso país se faz representar até o final de outubro com uma mostra de arte, cultura e gastronomia, na verdade um pouco de tudo que possa dar uma ideia, de modo geral, do Brasil. Deixei o gancho sobre as atitudes de alguns brasileiros. E uma delas chamou atenção, sendo noticiada nos jornais italianos. A excursão com os brasileiros buscava inclusive responder às fortes críticas de algumas personalidades, como do carismático Papa Francisco. Sobre o evento, aliás, na cerimônia de abertura ele foi enfático: “De certa maneira, a própria Expo é parte deste paradoxo de abundância, obedece a cultura do desperdício e não contribui com um modelo de desenvolvimento igualitário e sustentável”.
 
Por isso, o desafio que se propôs o grande chef Massimo Bottura, um italiano três estrelas Michelin, foi cozinhar apenas com os restos de comida da Expo Milão. Não sozinho, foi com o pessoal da ONG brasileira Gastromotiva. A ação não se validou pela feitura de pratos, mas sobretudo porque essa comida, que iria para o lixo, serviu para alimentar moradores de rua e carentes de um bairro pobre de Milão, conhecido como Greco. 
 
O desperdício de comida ao redor do mundo é um dos temas da feira. O que ninguém consegue encarar é que o luxo, que tanta beleza e boas lembranças produz, também seja responsável pelo descarte de muita comida boa. O que o chef Bottura quer mostrar é que se pode utilizar as sobras com bons resultados, não apenas fazendo um “mexidinho”. Por óbvio, isso não é tudo: a seleção demasiada de produtos gera um desperdício no campo e nos varejões.
 
Pelo lado brasileiro, acho que estávamos bem representados. A ONG Gastromotiva é uma fomentadora de ideias e práticas ligadas a gastronomia que leva à formação de jovens carentes que queiram ganhar a vida com a gastronomia. São cursos de formação técnica, que ensinam a ser garçom ou cozinheiro, e as exigências aos jovens é que tenham renda de até três salários mínimos e sejam apaixonados por cozinha. O fundador desse projeto é o gastrônomo David Hertz - um judeu, nascido em Curitiba, que vale, sozinho, várias crônicas. A jornalista gastronômica Alexandra Forbes, a gourmet itinerante e as chefs do bar Aconchego Carioca também se juntaram ao time.
 
Não consegui descobrir a opinião do Papa Francisco sobre tais iniciativas, sei que a fala dele tem poder de reverberação, mesmo quando se trata apenas de migalhas. 
 
 
DICA DA SEMANA
 
Batata doce
Para se fazer um purê de batata doce não precisa ter nenhuma perícia, é bem fácil e a textura dela não desanda nunca. Mas para se fazer um ótimo purê de batata doce aí sim, algumas diquinhas podem ser válidas.
 
Em primeiro lugar, a melhor escolha para o purê é da qualidade que tenha menos água e nesse caso, em se tratando de batatas doces, a melhor é a branca. Cozinhe com um pouco de sal, qualquer colher de chá já serve. Lave-as e descasque-as antes do cozimento, assim você poderá utilizar a água do cozimento para dar ponto no purê.
 
Para um purê bem fininho e elegante, não tem jeito, tem que passar as batatas cozidas pela peneira. Faça isso enquanto ela estiver quente, pois, ajuda na tarefa. Depois é só voltar a batata espremida para a panela e temperar com manteiga, quanto mais melhor, vai depender do seu regime, e verificar o sal. 

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