Em meio à crise que vem preocupando muitos pais de família no Brasil, passaram praticamente despercebidos os golpes contra uma das mais prejudicadas categorias do País: os aposentados. Aqui, dedicar uma vida inteira ao trabalho e ao crescimento econômico torna-se uma sentença de morte. Além de ter muitas dificuldades em conseguir o benefício (?), ao aposentado cabe apenas aquilo que o governo se dispõe a lhe conceder, como ‘esmola’ fosse, prejudicando todos os anos restantes de uma vida de dedicação. Quem se aposenta não consegue nem manter o padrão de vida de quando trabalhava. Se receber mais do que um salário mínimo, então, acaba penalizado com o achatamento de seus vencimentos uma vez que não há aumento real dos benefícios, muito pelo contrário.
Depois de a presidente Dilma Rousseff (PT) vetar o reajuste dos salários com base no aumento do salário mínimo, os aposentados agora se vêem sem a primeira parcela do décimo terceiro salário, que desde 2006 vinha sendo depositado até setembro. O governo decidiu, ontem, suspender o pagamento, sem qualquer previsão para fazê-lo. Atinge, assim, uma categoria que se vê órfã, não tendo qualquer outra opção senão protestar, sem que, aparentemente, seja ouvida. Quem consegue se aposentar no Brasil — por tempo de serviço, principalmente — não consegue manter uma qualidade de vida desejável para indivíduos com mais idade (hoje, poucos se aposentam com menos de 60 anos). Pesam o preço dos remédios, o valor da alimentação e de moradia, além de tarifas e o imposto de renda cobrado daqueles que ganham a partir de R$ 1.710,78 (o valor mínimo dobra caso o beneficiário tenha mais de 65 anos).
Quem trabalhou uma vida inteira deveria ser melhor tratado, para não se dizer cuidado. Ao aposentado restam apenas as migalhas que o governo se propõe a lhe conceder, sem que haja qualquer interesse em, utilizando o dinheiro público — principalmente o que vai parar nos escaninhos da corrupção — manter o poder de compra dos vencimentos pagos aos beneficiários da Previdência. Se dinheiro há para o Bolsa Família e outros programas ditos sociais, tem que haver também para aqueles que já trabalharam tanto e que hoje não têm qualquer tranquilidade para descansar: muitos se mantêm no mercado de trabalho para não serem prejudicados. Já passou da hora do governo empreender uma reforma na Previdência Social, buscando prioritariamente recursos que não prejudiquem os que muito precisam. É algo que precisa ser feito com a maior brevidade, antes que novas propostas surjam em detrimento de uma categoria que merece atenção e respeito.
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