D. Altina nem sonha o quanto é importante na minha vida . Meus três primeiros bebês nasceram em 1972, 74 e 75 e em todas as três ocasiões ela, altiva e linda dama, foi quem me recebeu na maternidade. Na primeira vez, apresentei-me: era filha de antiga conhecida sua, cujo último parto ela assistira anos atrás, tão logo começou a trabalhar na profissão. Riu-se da coincidência e ajudou bastante no difícil parto que tive. Riu-se também quando, por dois anos seguidos voltei à maternidade para receber dois outros filhos. Ao se despedir de mim, na terceira vez, vaticinou que eu teria mais um bebê e que me esperaria na portaria quando fosse o momento. Não deu tempo. Sua aposentadoria veio antes. Ajudou-me nas tentativas de amamentação, pôs o primeiro par de brincos na minha filha. Com maestria colocou uma rolha trás do lóbulo da orelhinha, marcou o local da perfuração, verificou a ponta do brinco de bolinha de ouro e zás! O bebê só vagiu. Baixinho. Imagino o coro de mais de 1000 crianças que ela viu nascer, cantando Parabéns, dia 4 de agosto, quando ela completou 94 anos.
(Lúcia H. M. Brigagão)
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