O cantor Seu Jorge está sendo processado pela família de Mário Lago. O motivo é o uso indevido de um trecho da canção Ai, Que Saudades da Amélia, de autoria de Mário Lago e Ataulfo, na música Mania de Peitão, gravada por Seu Jorge em 2004.
"O disco não havia sido lançado no Brasil. Fui avisada da gravação por pessoas de Brasília e mandei trazer (o álbum) de fora. Só então, descobri que a música estava lá", contou a filha de Mário Lago, Graça Lago ao site Zero Hora.
Mário Lago Filho, conhecido como Mariozinho, também nega que tenha sido consultado. Assim que os herdeiros de Mário Lago fizeram a reclamação, o registro da música no Ecad foi alterado. Os autores de Ai, que Saudades da Amélia passaram a constar como coautores de Mania de Peitão ao lado de Bento Amorim. "Papai e Ataulfo não são parceiros de uma música chamada Mania de Peitão. Eles tinham de ter colocado como citação à obra", reclama Graça.
Daniela Tourinho, advogada de Seu Jorge, afirma que antes de iniciar o processo, um acordo foi feito entre as editoras Irmãos Vitale (que cuida da obra de Lago) e a Universal (responsável pela obra de Seu Jorge), definindo que 50% do lucro seria destinado aos herdeiros. O acordo, que teria sido apenas verbal, foi acertado com Luis Carlos, outro filho de Mário Lago. Luis, no entanto, faleceu em 2010. "Essa é uma ação absurda do ponto de vista jurídico. Eles estão reclamando por uma autorização que existiu e por direitos que eles já recebem graças a uma transação feita pela editora deles. Por isso, eu pedi o adiantamento do processo, para que a juíza proferisse a sentença imediatamente", explica Daniela. "Ah, quer dizer então que o morto sabia de tudo?", rebateu Graça. "A lei diz que as autorizações devem ser prévias, antes das gravações. E isso não aconteceu. E eles não querem ver o nome de seu pai anexado a uma pessoa de caráter duvidoso", afirma Deborah Sztajnberg, advogada da família Lago.
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