Uma proposta muito indecente


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Meses depois do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ameaçar enfrentar com o “exército de Stédile” os movimentos que pedem a saída da presidente Dilma Rousseff (PT), um novo argumento surgiu ontem em defesa do mandato da petista. O presidente da CUT (Central Única dos Trabalhadores), Vagner Freitas, pediu aos movimentos sociais a ida à “rua entrincheirados, com armas na mão, se tentarem derrubar a presidente”. A frase foi dita durante o evento Diálogo com Movimentos Sociais — do qual a própria presidente participa, em mais um aceno à esquerda diante do agravamento da crise política.
 
O grande problema de tudo isso é que ninguém — nem os que defendem o impeachment da presidente — acenou com qualquer tentativa de utilizar a ilegalidade para derrubar Dilma. Além disso, os protestos, marcados para este domingo, são legítimos e demonstram a liberdade que a democracia proporciona. Falar em pegar em armas é algo impensável para quem defende a legalidade. Substitui a falta de argumentos daqueles que defendem a todo custo um plano de poder e um projeto que pretende impor a ideologia de uma esquerda raivosa, que considera ideais regimes repressores como o levado pela Venezuela, de Nicolás Maduro.
 
Embora este grupo queira fazer crer que a ditadura de esquerda é ideal e a de direita seja daninha (como se pode perceber pelos seus discursos ao longo da história), a verdade é que todas são prejudiciais ao povo, suprimindo liberdades individuais e fazendo da violência a ferramenta para impor as suas vontades. O Brasil, que passou por situações semelhantes em dois momentos de sua vida democrática (o Estado Novo, de Getúlio Vargas, entre 1930 e 1945, e a ditadura militar que perdurou entre os anos da década de 1960 e início dos 1980), não pode permitir que o brasileiro tenha mais uma vez os seus direitos ameaçados.
 
Estranha-se que quem defende os votos que permitiram o segundo mandato à presidente Dilma conclame os seus aliados a atacarem à bala os que não concordam com suas opiniões. Esta atitude só demonstra o desespero de quem vê surgirem argumentos — no âmbito da operação Lava Jato — capazes de criarem um clima favorável, inclusive juridicamente, para impedir Dilma Rousseff de concluir o seu mandato. As prisões mais recentes — e que levam as investigações para o Ministério do Planejamento — causam impacto forte no Planalto e chegam bastante perto do núcleo do poder. Não há como defender um grupo que fez da roubalheira a sua principal ação. Nem ameaças serão capazes de evitar que o brasileiro vá para as ruas, domingo, externar o seu descontentamento com o governo que aí está.
 
 
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