Idosa morre após ser atendida por falsário


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Paulo José Batista mostra a foto da mãe Iara Brandieri Batista que morreu em agosto de 2014
Paulo José Batista mostra a foto da mãe Iara Brandieri Batista que morreu em agosto de 2014
A família da aposentada Iara Brandieri Batista, de 82 anos, está inconformada. Iara morreu em agosto do ano passado depois de peregrinar pelo Pronto-socorro “Álvaro Azzuz” por meses. Ela foi uma das pessoas atendidas pelo falso médico Pablo Mussolim, que trabalhou no PS contratado pelo ICV, de julho a outubro do ano passado, usando o nome e o registro de Pablo Vinícius Galvão. Hoje, o falsário está preso. 
 
Segundo o filho de Iara, Paulo José Batista, de 46 anos, morador da Vila São Sebastião, sua mãe foi atendida diversas vezes por Pablo, que não identificou que ela estava com câncer avançado no pâncreas e no fígado. “Minha mãe se queixava muito de dores na barriga e nas costas. Eu ia com ela ao pronto-socorro de duas a três vezes por semana, sem resolver nada”, disse.
 
Nas últimas consultas, Iara foi atendida por Pablo Mussolim. “Ele nem examinava minha mãe. Dizia que as dores eram por causa da idade e mandava ela tomar soro. As enfermeiras viraram até amigas dela de tanto que íamos ao PS”, contou Batista. 
 
O problema é que as dores não passavam e só aumentavam. Cansados, os filhos de Iara decidiram fazer uma “vaquinha” e pagar por uma consulta particular. “Isso foi já no final de julho. Na primeira consulta, a médica já desconfiou de algo sério. Pediu um exame de ultrassom e viu que minha mãe estava com câncer.”
 
A médica, então, emitiu um laudo com o diagnóstico, solicitando a internação de Iara para tratamento na rede pública. “Com a documentação, a gente voltou ao PS para que ela fosse internada. Mas o médico que a atendeu, eu não me lembro se foi o mesmo, disse que era melhor ela ficar em casa mesmo por causa do risco de infecção.”
 
Inconformado, Batista resolveu procurar diretamente o Hospital do Coração. Lá, Iara foi internada, mas não resistiu e morreu uma semana depois. “O sentimento que fica é de revolta. Não que minha mãe não fosse morrer, mas ela podia ter tido um tratamento diferente. Podia ter sido medicada para não sentir tantas dores. Ela ficou um mês sofrendo e chorando”, disse emocionado. 
 
Batista falou que sente muita raiva de Pablo Mussolim. “Deus me perdoe, mas se eu encontrar com ele de novo, eu sou capaz de fazer uma besteira. Ele dizia que era coisa da idade, e o que minha mãe tinha era câncer.” Ele disse que espera uma resposta da Secretaria Municipal de Saúde. “Não é possível que eles não vão fazer nada. Estou contando minha história para que outras pessoas não passem pelo mesmo sofrimento.”
 
Quadrilha
Além de Pablo Mussolim, outros cinco falsos médicos já foram confirmados. Eles usaram os nomes de Naas Adonais Carvalho de Assis, Camila Menossi dos Santos, Danilo Bringel Landim, João Batista Saud Pereira e João Paulo Elias Alves. 
 
Além deles, ainda trabalhou em Franca o médico Lee Boris Flores Orella, apontado pela Polícia como o aliciador dos falsários. Lee Boris teve a prisão preventiva decretada e está foragido. 
 
 
IDENTIDADES FALSAS
 
Veja os nomes que os seis falsários que atuaram em Franca - já confirmados - usavam para atender pacientes nos prontos-socorros municipais ‘Álvaro Azzuz’ e Infantil
 
Pablo Vinícius Thomaz Galvão
Nome usado por Pablo Mussolin (foto), que está preso. Em Franca, atuou de julho a outubro de 2014. Era emergencialista contratado pelo ICV para trabalhar no PS. Em agosto, ele teria recebido mais de R$ 80 mil.
 
Naas Adonais Carvalho de Assis 
Nome usado por Bertino Rumarco da Costa (foto), que também está preso. Em Franca, também teria atuado no Pronto-socorro Municipal “Álvaro Azzuz”, como contratado do ICV, de junho a agosto do ano passado.
 
Danilo Bringel Landim
Nome usado por um homem ainda não identificado pela polícia para prestar serviços no PS Infantil como pediatra, de julho a outubro de 2014. Ele atendeu ao menino Miguel Schentl, de 1 ano, que morreu vítima de meningite em agosto.
 
Camila Menossi dos Santos
Nome usado por uma mulher que se passou por pediatra no PS Infantil em setembro do ano passado. Segundo funcionários, ela não sabia sequer escrever o nome correto dos exames. A falsária ainda não foi identificada.
 
João Batista Saud Pereira 
Nome usado por um homem que se passou por médico emergencialista para atuar no Pronto-socorro Municipal “Álvaro Azzuz”, entre os meses de julho e outubro do ano passado. A polícia ainda tenta identificar o falsário. 
 
João Paulo Elias Alves
Nome usado por um homem que se passou por médico pediatra para atuar no Pronto-socorro Infantil de Franca, no mês de outubro do ano passado. A Polícia Civil ainda tenta identificar o falsário. 
 
 
 

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