Falsos médicos


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A descoberta de falsos médicos atendendo, despudoradamente, em quatro cidades do interior de São Paulo, sendo uma delas, infelizmente, a nossa Franca, trouxe à tona fato conhecido de todos, porém nunca combatido com o rigor necessário: o descaso com a saúde das pessoas mais carentes da sociedade.
 
Se não bastassem a falta de recursos para a saúde, as filas intermináveis, as constantes greves do setor, a falta de medicamentos e a espera pacienciosa por uma cirurgia necessária, agora nos deparamos, talvez, com o fato mais grave: pacientes sendo atendidos por charlatões!
 
Não basta, nestes episódios, a mera devolução aos cofres públicos dos valores recebidos por esses impostores. É fundamental uma rigorosa apuração desses atendimentos, pois é possível que óbitos tenham ocorrido em razão de erros de diagnósticos ou de prescrições medicamentosas. 
 
Estes fatos que ganharam ampla repercussão, naturalmente, com o decorrer do tempo, deverão desaparecer do noticiário. Porém, os episódios não poderão ser esquecido pelas autoridades policiais. 
 
Tudo deverá ser rigorosamente investigado, enquadrando-se todos que, por ação ou omissão, contribuíram para que esses fatos de tamanha gravidade viessem a ocorrer em nossa cidade.
 
Todas as fichas que atestam atendimentos desses impostores deverão ser vasculhadas, colhendo-se também os depoimentos de pacientes e seus familiares quanto aos resultados dessas consultas.
 
Vale lembrar, aqui, preciosa lição de Dom Pedro I. Ele que, muito embora tenha vivido uma vida pessoal bastante tumultuada, sabia exatamente como devia lidar com o povo. Em certa oportunidade, afirmou, com todas as letras: ‘o respeito de um povo livre para com seu governante deve nascer da convicção de que este é capaz de fazê-lo alcançar o nível de felicidade a que aspiram’. Convenhamos. Sem saúde, não há que se falar em felicidade. 
 
 
Setímio Salerno Miguel
Advogado empresarial, professor da Faculdade de Direito de Franca

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