Ao anunciar a redução de ministérios, com a fusão de pastas e secretarias, baixando o número para 24 — hoje são 38 —, a presidente Dilma Rousseff (PT) não imaginava a dor que cabeça que estaria criando para si. O problema maior é a perspectiva de criar atritos com a base aliada e perder apoio no Congresso. Esta hora seria o pior cenário para o seu segundo mandato, quando já vem perdendo votações importantes e vê a debandada de partidos aliados. É o caso do PDT e do PTB que, embora tenham ministros na equipe do Planalto, já não votam favoravelmente as propostas apresentadas pelo governo, engrossando o coro dos descontentes. Com a popularidade em baixa, Dilma hoje já não pode prescindir do apoio daqueles que ainda acompanham suas orientações. A base aliada está enfraquecida e tem obrigado a presidente a intensificar os discursos pela união para superar a crise.
Um novo desenho para o ministério de Dilma, que vem sendo traçado pelo grupo de trabalho da Casa Civil e do Planejamento, vem se mostrando mais difícil do que se supunha. Uma dos problemas é o PMDB. O partido já deu sinais de que, se a Secretaria da Pesca for fundida com o Ministério da Agricultura, vai cobrar a mesma atitude em relação ao Desenvolvimento Agrário -- hoje nas mãos do PT. Já o PT teme incomodar setores historicamente alinhados ao partido ao fundir num só os ministérios de assuntos ligados aos direitos humanos. O receio do partido é que fundir as secretarias de Políticas para as Mulheres e de Promoção da Igualdade Racial com a de Direitos Humanos irrite os movimentos sociais.
Como se pode ver, o trabalho não será fácil. E a culpa é exclusiva do próprio PT, que no decorrer dos mandatos de Luiz Inácio Lula da Silva e de Dilma criou um monstrengo inflado, buscando acomodar aliados e indicados por estes, em busca de uma governabilidade que poderia ter sido atingida de outra forma, mesmo que mais difícil. Agora, em termos políticos, torna-se temeroso abater este monstro de 38 pastas sem causar mais problemas para manter o apoio absoluto que o governo ostentava até o final do ano passado. Se para a montagem da nova equipe a presidente já havia enfrentado resistências até dentro de seu partido, imagine agora que os aliados vão perder a força política que certas áreas do governo possibilitam. Dilma Rousseff terá muitas dificuldades em promover esta reforma, reclamada pelos brasileiros, sem prejudicar os seus interesses no Legislativo. É esperar para ver a sequência dos fatos que podem prejudicar a recuperação econômica e política do País mais do que se pode imaginar.
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