Médico foragido apontado como aliciador também atendeu no PS


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Imagem de arquivo da fachada do PS Municipal
Imagem de arquivo da fachada do PS Municipal
Apontado como um dos principais articuladores da quadrilha de falsos médicos que atuava prestando serviços para Prefeituras do interior de São Paulo, o médico Lee Boris Flores Orella também trabalhou nos Prontos-socorros “Álvaro Azzuz” e Infantil em Franca. Na cidade, ele teria permanecido durante todo o mês de julho do ano passado como contratado pelo ICV (Instituto Ciências da Vida). 
 
Segundo as investigações da polícia na região de Mairinque (onde a quadrilha também atuou), Lee Boris agia junto com Bertino Rumarco da Costa, que se passava por médico usando o nome de Naas Adonais Carvalho de Assis e trabalhou em Franca de julho a agosto de 2014. Os dois eram os responsáveis por convencer pessoas que cursaram medicina na Bolívia, mas não tinham a revalidação do diploma nem a complementação da carga horária de estudos exigida por lei, a entrarem no esquema.
 
Ainda de acordo com as investigações, Lee Boris, que é médico formado na Bolívia mas com o diploma revalidado, usava as redes sociais e cursos preparatórios para aliciar interessados. Uma vez aceita a proposta, os falsos médicos passavam a usar o nome e o número de registro de médicos verdadeiros. 
 
Em Franca, até o momento, seis falsos médicos já foram identificados (leia aqui). Um deles, Pablo Mussolin, que atuava com o nome de Pablo Vinícius Galvão, confessou ter sido aliciado por Bertino. 
 
Por conta de sua participação no esquema que atuou em Mairinque, Lee Boris foi denunciado pelo Ministério Público à Justiça. Sua prisão preventiva foi decretada na semana passada. Hoje ele é considerado foragido da polícia. Seu nome e sua foto já foram enviadas a órgãos internacionais. Seu passaporte também foi suspenso.
 
Para a polícia, Bertino e Lee Boris representam o elo entre duas empresas envolvidas no esquema de falsos médicos: a Innova, cujos donos já estão presos e respondem a processos na Justiça, e o ICV que continua prestando serviços à Prefeitura de Franca. 
 
A Prefeitura de Franca confirmou o fato de Lee Boris ter atuado no município, mas não comentou as denúncias.
 

IDENTIDADES FALSAS
 
Veja os nomes que os seis falsários que atuaram em Franca - já confirmados - usavam para atender pacientes nos prontos-socorros municipais ‘Álvaro Azzuz’ e Infantil
 
 
Pablo Vinícius Thomaz Galvão
Nome usado por Pablo Mussolin (foto), que está preso. Em Franca, atuou de julho a outubro de 2014. Era emergencialista contratado pelo ICV para trabalhar no PS. Em agosto, ele teria recebido mais de R$ 80 mil.
 
Naas Adonais Carvalho de Assis 
Nome usado por Bertino Rumarco da Costa (foto), que também está preso. Em Franca, também teria atuado no Pronto-socorro Municipal “Álvaro Azzuz”, como contratado do ICV, de junho a agosto do ano passado.
 
Danilo Bringel Landim
Nome usado por um homem ainda não identificado pela polícia para prestar serviços no PS Infantil como pediatra, de julho a outubro de 2014. Ele atendeu ao menino Miguel Schentl, de 1 ano, que morreu vítima de meningite em agosto.
 
Camila Menossi dos Santos
Nome usado por uma mulher que se passou por pediatra no PS Infantil em setembro do ano passado. Segundo funcionários, ela não sabia sequer escrever o nome correto dos exames. A falsária ainda não foi identificada.
 
João Batista Saud Pereira 
Nome usado por um homem que se passou por médico emergencialista para atuar no Pronto-socorro Municipal “Álvaro Azzuz”, entre os meses de julho e outubro do ano passado. A polícia ainda tenta identificar o falsário. 
 
João Paulo Elias Alves
Nome usado por um homem que se passou por médico pediatra para atuar no Pronto-socorro Infantil de Franca, no mês de outubro do ano passado. A Polícia Civil ainda tenta identificar o falsário. 
 

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