O número de falsários que atenderam pacientes nos Prontos-socorros “Álvaro Azzuz” e Infantil em Franca não para de crescer. O Comércio encontrou mais um caso em que um homem se passando por médico trabalhou na cidade contratado pelo ICV (Instituto Ciência da Vida). É o quinto falso médico confirmado. Ontem, a Câmara Municipal de Vereadores aprovou a criação de uma CEI (Comissão Especial de Inquérito) para investigar o contrato entre a Prefeitura e o instituto.
Desta vez, o falsário usava o nome e o número de registro de João Batista Saud Pereira, um médico de Novo Horizonte, a 410 km de São Paulo, na região de São José do Rio Preto. Segundo o próprio ICV, o criminoso atendeu pacientes do pronto-socorro durante três meses, de julho a outubro do ano passado.
Como os demais já identificados, o falso João também teve seu nome denunciado por enfermeiras e médicos do Pronto-socorro “Álvaro Azzuz”. Segundo os funcionários, ele era calado, normalmente era visto em companhia da mulher que se passou por Camila Menossi dos Santos, também confirmada como falsária. A polícia ainda não tem a identificação verdadeira do homem, mas está investigando o caso.
Além do falso João, outros quatro falsários já foram confirmados atuando em Franca como contratados pelo ICV (veja os nomes em quadro nesta página).
O verdadeiro
A reportagem do Comércio conversou com o verdadeiro João Batista. Ele contou que se formou em medicina pela Fipa (Faculdades Integradas “Padre Altino”), antiga Faculdade de Medicina de Catanduva, em 2012. Desde então, tem atuado na Santa Casa de Novo Horizonte.
Ele se disse assustado com a descoberta de um falsário utilizando seu nome e número de registro em Franca. “Não sei como isso pode ter acontecido. Nunca sai daqui da minha região. Nunca estive em Franca nem trabalhei em nenhum hospital aí”, garantiu.
Ele também afirmou não conhecer o ICV ou ter prestado serviços à empresa. “Nunca ouvi falar nesta empresa. Não conheço ninguém que seja ligado a ela e nunca prestei serviços a esse pessoal”, disse.
Em nota, o ICV disse que está fazendo uma auditoria interna na documentação de seus contratados e que tem colaborado com a polícia. O instituto também se diz vítima da quadrilha de falsários.
Calada
A Prefeitura de Franca, responsável pela contratação do ICV, manteve a postura de não comentar denúncias relacionadas a falsos médicos atuando nos prontos-socorros da cidade.
Por meio de sua assessoria de imprensa, informou apenas que o contrato de prestação de serviços com o instituto será mantido.
Também afirmou que continua promovendo uma auditoria interna para confirmar a documentação dos médicos que prestaram e prestam serviço ao ICV na cidade.
IDENTIDADES FALSAS
Veja os nomes que os cinco falsários que atuaram em Franca - já confirmados - usavam para atender pacientes nos prontos-socorros ‘Álvaro Azzuz’ e Infantil
Pablo Vinícius Thomaz Galvão
Nome usado por Pablo Mussolin (foto), que está preso. Em Franca, atuou de julho a outubro de 2014. Era emergencialista contratado pelo ICV para trabalhar no PS. Em agosto, ele teria recebido mais de R$ 80 mil de salário.
Naas Adonais Carvalho de Assis
Nome usado por Bertino Rumarco da Costa (foto), que também está preso. Em Franca, também teria atuado no Pronto-socorro “Álvaro Azzuz”, como contratado do ICV, de junho a agosto do ano passado.
Danilo Bringel Landim
Nome usado por um homem ainda não identificado pela polícia para prestar serviços no PS Infantil como pediatra, de julho a outubro de 2014. Ele atendeu ao menino Miguel Schentl, de 1 ano, que morreu vítima de meningite em agosto.
Camila Menossi dos Santos
Nome usado por uma mulher que se passou por pediatra no PS Infantil em setembro do ano passado. Segundo funcionários, ela não sabia sequer escrever o nome correto dos exames. A falsária ainda não foi identificada.
João Batista Saud Pereira
Nome usado por um homem que se passou por médico emergencialista para atuar no Pronto-socorro “Álvaro Azzuz”, entre os meses de julho e outubro do ano passado. A polícia ainda tenta identificar o falsário.
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